quarta-feira, 6 de março de 2013

Sensibilidade

Sobre o post anterior, conversei com a professora, que fez uma boa maquiagem no seis por meia dúzia: disse-me que eles não iriam vigiar uns aos outros a todo momento, mas, caso vissem algo estranho durante o uso do banheiro, aí sim era pra chamar a professora...
Fui até a coordenadora que irá começar uma campanha pelo bom e higiênico uso do banheiro.
Acho lamentável ter que usar esse tempo para essas questões. Vou torcer para que seja visível o efeito.

Um outro assunto

Ontem, minha filha ( 7 anos ) pediu autorização para assistir a um filme. 
Ela tem que pedir autorização porque depois de uns três filmes que ela começou a chorar na sessão da tarde e só parou no dia seguinte - até dormindo soluçava - e ia para a escola com os olhos inchados, tive que ser drástica!
Mas ontem, ela me convenceu.
O filme era sobre uma garotinha que tinha cancêr e ela sabia que seria bem triste; achava, porém, importante ela assistir.
Deixei.
E entre os afazeres domésticos, ela vinha me contar: "mãe, agora vão descobrir que ela está doente".
Num determinado momento, dei uma espiada e ela me disse toda empolgada "olha mãe, ela está melhor e voltou para a escola".
Disse que ainda haveriam dificuldades, o filme estava no começo.
Quando o filme terminou, ela estava aos prantos.
Abracei e disse que era por isso que não achava legal ela assistir filmes tristes.
Então ela me disse que não estava chorando por causa do filme, mas estava preocupada se crianças com câncer dentro do hospital se reunissem na sala de recreação para assistir. Era injusto, porque na propaganda mostrava a menina correndo e jogando bola e ela morre.
"Mãe, as crianças no hospital não podem perder a esperança. E esse filme tira a esperança delas".
Eu não tinha pensado nisso.
Pensei.
E também chorei.

15 comentários:

Lacorrilha disse...

Mais uma aqui que ficou num pranto.
A Júlia é especial. Beijinhos às duas.

Alê Lemos disse...

Olha eu também vi esse filme e chorei à beça, mas senti algo bom nele. A menina morreu, mas é uma realidade, crianças morrem e cancer. Talvez não seja muito legal para alguém que está lutando pela vida ver alguém na sua situação morrer, mas veja todo o impacto positivo que ela causou nos colegas de escola. Sem falar que por mais que ela tenha tido seus momentos difíceis e egoístas, ela mostrou que a diferença não é o final da luta, mas como a enfrentamos. Achei que foi um lindo jeito de mostrar a necessidade de se colocar no lugar dos outros (pensando no yupie principalmente) e tb de como discutir um tema tão difícil com as crianças que é a morte.

Tina Bau Couto disse...

Eu peguei o filme pela metade e mesmo com a menina tendo morrido no final, senti uma lição deixada, as perdas, mortes, partidas machucam e ensinam.

Mesmo sabendo que vou chorar muito, fiquei com muita vontade de assistir e recomendaria para as crianças dos hospitais, apesar de salientar o amor que senti pela preocupação de Ju.

As crianças do hospital sabem que vão morrer, ver mortes não lhes tira a esperança, elas sabem que suas vidas são breves, a cada remédio, procedimento, perda no quarto ao lado, notícia, cara de dor de quem lhe acompanha ou falta de acompanhamento e talvez por isso muitas sorriem tanto, são tão felizes, se importam tão pouco com besteiras e birras.
Nós devíamos aprender com elas.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, a Júlia é muito fôfa. Tem uma sensibilidade muito grande. Eu, particularmente, como seu amigo e fã de suas crianças e do modo como cuida delas, sou de opinião que você deve deixar que ela assista esses tipos de filmes. Essa sensibilidade que ela tem deve estravasar... Ana, vou parar de escrever porque está uma tempestade aqui e com certeza vai acabar a luz e eu vou perder o comentário. Depois continuo.
Beijo
Manoel

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, o mundo ainda não acabou por aqui, mas pensei que fosse hoje, kkk. São Pedro está muito bravo com a gente aqui. Fazia tempo que eu não via chuva igual. Essa semana a cidade já está sem água, quando na realidade deveria estar com muito mais. choveu muito. Então eles fazem as justificativas colocando, como sempre, a culpa no sobrenatural. A gente finge que acredita, paga os impostos direitinho e a vida continua, rs...rs.
Bem... como dizia, a Júlia deve soltar esses sentimentos dela. Aprendi que tanto as alegrias como as tristezas devem ser estravasadas para continuarmos com nosso equilíbrio psicológico. Isso acontecia comigo. Sempre fui uma pessoa muito fechada, muito contida e muito preocupada com o que os outros iam pensar. Tive que aprender diferente e fazer funcionar. Deu certo!
Não sei se a continuação deu sentido, mas...
Beijo
Manoel

Flávia Brito disse...

Ô gente, a Julinha é mesmo muito sensível. Imagina, se uma menina de 7 anos tem essa percepção, então o mundo ainda não está perdido. Parabéns à pequena cidadã! Ao contrário dos pequenos porquinhos da escola dela que não tem educação doméstica. Fala sério, saber usar o banheiro a gente aprende com dois, três anos.

Beijos

✿ chica disse...

É de tirar o chapéu pra Julinha!!Maravilha de criança!1 beijos,chica

Calu disse...

Oi Ana,
vc fez muito bem em ira até o colégio se inteirar desta medida, no mínimo inconveniente.É fato que muitas crianças não tem apresentado bons hábitos no uso das dependências escolares, mas isto tem de ser levado a conhecimento das famílias e cobrado delas sistematicamente a boa posturas de seus filhos e a mesma ser incentivada no ambiente escolar e não fomentar uma delação premiada.

A gente fica mesmo com coração apertado diante de certos pedidos dos filhos ainda mais sabendo-os, como no caso da Júlia, tão sensíveis, mas também ficamos tão emocionadas ao vê-los tirando conclusões maduras sobre o que veem.
Uma boa noite aí pra vcs.
Bjos,
Calu

Moro em um Kinder Ovo disse...

Atitudes como a sua - ir à escola, conversar, acompanhar o que a filha faz e assiste - me dão sempre a impressão de que você caminha no sentido inverso das outras pessoas porque é cada vez mais raro esta preocupação e envolvimento com a educação e formação dos filhos. A moda agora é "ser amiga da filha", vestir-se igual e ter atitudes semelhantes.

Carolina Lima disse...

Quanta sensibilidade e preocupação da Júlia. ♥

Kellen Bittencourt disse...

Ana eu assisti o filme que vc falou, e tbém fiquei aos prantos no final, muito triste mesmo, e eu tive o mesmo pensamento da sua filha, que o filme não deve ser assistido p quem se encontra na mesma condição, sua filha tem razão! Porém eles tentaram mostrar um outro lado, tinha um colega da garota que era meio a ovelha negra da sala, e ele vai se rendendo e ficando mais doce no decorrer do filme, no final ele faz uma homenagem a ela, esse lado foi bacana, ele se tornou uma pessoa melhor por causa dela, mas o outro lado sem duvida, não é um filme que deve ser assistido por pessoas com cancer, principalmente crianças! Bjooooos

Dulce Morais disse...

Pois é, Ana Paula, as crianças têm essa sensibilidade e sensatez que nós nem sempre conseguimos alcançar.
Que bonito relato! O importante é manter a esperança e, se está nas nossas possibilidades fazer algo para alterar as situações que nos tocam, então basta avançar!

Se gostares, deixei algo na minha página de selos para ti.

Um abraço!

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Rovênia disse...

Ai, meu Deus! Não gosto de ver criança chorando, triste. Ainda mais sem esperança. Se existe uma coisa que não acho justo neste mundo é criança doente, sem poder brincar, sem esperança no amanhã. Fiquei triste também. Sua filha tem coração de anjo! Beijinhos de conforto, amiga!

Anne Lieri disse...

Ana,que coisa esse comentario da sua filha!Ela entendeu o filem muito bem!Quanta sensibilidade!E vou ler o post anterior agora,bjs!

Ivani disse...

Oi Ana, tudo bem?
quanto ao cmentário da professora ficou mesmo a sensação de "dito pelo nao dito".
vamos aguardar para ver no que dá.
Quanto à Julia, eu penso que devemos poupar nossas crianças, enquanto for possivel, das dores e agruras desse mundo.
Foi e é lindo ela se preocupar com as crianças hospitalizadas, mas é um sofrimento que ela ainda não precisa ter.
Haverá ainda muitos anos para que ela se preocupe e sofra com os outros.
Deixe-a curtir sua infância linda, despreocupada e feliz. Faça-a ver apenas filmes de aventuras e comédias. E leituras inteligentes e alegres.
O mundo se encarregará de mostrar o outro lado para ela, mais tarde.
Beijos querida, boa noite.