sexta-feira, 22 de março de 2013

Das cores invisíveis


Desejei que fosse azul. Celeste como o céu.
Mesmo assim me aproximei.
Ela desejou que eu fosse laranja. Gostava do entardecer.
Mesmo assim não se afastou.
Em seu olhar eu vi todas as belezas.
Ela olhou o meu dentro.
Silenciamos.
E o tempo não foi preciso em quantidades
Aprendemos frente a frente
uma para outra
não julgar.
Temos as cores do vento
que nos tingem além da matéria
Um sopro de Manoel de Barros
nos acorreu:
Privilégio dos ventos
semear 
as borboletas!
Privilégio teu olhar
pequeno imenso ser.

13 comentários:

Manoel Eduardo Fernandes disse...

Ana Paula, e não é um tremendo privilégio poder semear borboletas?!

E o tempo não foi preciso em quantidades.
Para mim interessa muito mais que seja preciso em qualidades.

Muito linda a postagem, Ana.

Beijo
Manoel

✿ chica disse...

Que delícia de ler e seria bom se todos pudéssemos sempre semeá-las. Lindo! Ótimo fds! beijos,chica

Ivani disse...

Privilegio é poder, em um sábado de manhã, uma postagem tão delicada e cheia de significados.
Torna o fim de semana mais gostoso, mais colorido.
Sim, é um privilegio dos ventos semea-las, mas é nosso o prazer de ve-las em toda sua beleza, e leveza.
Um beijo querida, bom fim de semana.

Moro em um Kinder Ovo disse...

Alma de poeta é para quem recebeu direto das mãos de Deus este dom pois ao ver um bichinho tão feio é capaz de juntar palavrinhas tão lindas. No meu casa, ia correndo chamar marido para dar um fim nele.

Tina Bau Couto disse...

Privilégio do vento circular entre São Paulo e Bahia sem nenhuma barreira, sempre cheio de boas energias e circula camaleônico com som de brisa ou ventania, com cores de outono, primavera e verão, com cheiro de mar, de bolinho de chuva, de cuva, de pão.
Circula entre tantos lugares, de um canto a outro, de inspiração e uma respiração a outra, contendo suspiros, cansaço, agito, borboletas, passarinhos, pipas, louva-deuses, esperanças, nuvens, sentimentos.
Esta contido o vento em nosso saber que há uma sintonia, invisível entre agente e outras pessoas, outros lugares, sentires, saberes, olhares.

Flávia Brito disse...

LindoooO. Ganhei meu domingo. Obrigada!

Alê Lemos disse...

Muito bonito mesmo Ana. Ficou bem suave e sincero.

A BETI disse...

Que encanto sua postagem!
Um mega domingo!
Bjsssssssssssssssssssssssssssssssss

EdeEtienne disse...

Oi, Ana! Mas que olhar atento e delicado o seu... Bela escolha e combinação de palavras. Obrigada pelo seu lindo texto - e pela foto que o acompanha! Uma ótima semana pra você. Bjs!

disse...

Pequena alegria que é entender um ao outro.

SANTA CRUZ DIÁCONO GOMES disse...

Ana; Lindo e escrito com um olhar atento fizeste uma linda escolha e mais bela a combinação das palavras. Boa Páscoa
Beijinhos
Santa Cruz

Luma Rosa disse...

Precisamos da contemplação, do sentir e ver a natureza para nos integrarmos nela, pois só assim entenderemos a nossa essência. Previlégios.
Boa semana!! Beijus,

Rovênia disse...

O que é isso, Ana Paula? Um grilo? É o único bicho que tenho pavor. De barata nojo, mas de grilo pavor. Saio correndo... eles pulam!!! O texto está lindo, inspirado como sempre, mas o bicho lá em cima... Um dia falo desse meu trauma! Beijos, antes que ele pule em mim...