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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Faz de conta

Faz de conta que as estrelas não têm pontas
São redondas, emitem luz
nascem
habitam galáxias
morrem

Faz de conta que as estrelas têm pontas
e podemos encontrá-las
em qualquer chão
pequeninas, juntinhas
ramalhete de estrelas

Se soprar
elas voam de volta para os céus
encontram uma galáxia qualquer
para renascer
chão de céu a brilhar
sonhos nossos a iluminar


quarta-feira, 26 de junho de 2013

O pé do menino

O dia amanheceu
poder-se-ia dizer comumente
não fosse a teimosia
do pé do menino
em espichar
Sabe-se lá a que horas
da madrugada
e no sapato não mais entrava
Assim mesmo
contundente

Pôs-se a mãe a chorar
um novo e maior sapato
ela precisava comprar

Choveu. E ela recordou
o menino bebê
a ninar

A infância de malas 
pronta a partir
em qualquer amanhecer
por vir

Foram porém as mãos
as mãos do menino
que amainaram seu coração

Carregava o azul nas mãos
traquinagens
pique esconde
pipas a voar

Sabe-se lá a que horas
da madrugada
a infância vinha buscá-lo
para brincar
comumente
com o amanhecer.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Tem bergamota?

Tem bergamota?
Tem sim senhor!
Cadê, cadê?
Lá pro terreiro do vizinho
É só se achegar
Num tem esse negócio não
de sorria você está sendo filmado
Ocê vai sorrir
é de ficar com o beiço melado!





sexta-feira, 22 de março de 2013

Das cores invisíveis


Desejei que fosse azul. Celeste como o céu.
Mesmo assim me aproximei.
Ela desejou que eu fosse laranja. Gostava do entardecer.
Mesmo assim não se afastou.
Em seu olhar eu vi todas as belezas.
Ela olhou o meu dentro.
Silenciamos.
E o tempo não foi preciso em quantidades
Aprendemos frente a frente
uma para outra
não julgar.
Temos as cores do vento
que nos tingem além da matéria
Um sopro de Manoel de Barros
nos acorreu:
Privilégio dos ventos
semear 
as borboletas!
Privilégio teu olhar
pequeno imenso ser.

terça-feira, 12 de março de 2013

Um pedacinho

Todos os dias, rotineiramente
294 milhões de e-mails são enviados
4,7 bilhões de minutos são passados coletivamente no Facebook
864 mil horas de vídeo são colocadas no YouTube
Todos os dias, rotineiramente
o piscar de uma estrela
a respiração de um passarinho dormitando
se transformam em uma gota de orvalho
e um pedacinho de silêncio 
pode ser encontrado
bem ali
bem próximo de ti


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Um pouco de leveza

Hoje queria escrever algo leve, algo do tipo "caldinho" bem quentinho, sol aconchegante da manhã.
Mas cadê a inspiração? Cadê o sol de São Paulo para ajudar?
Então minha filha da escola entusiasmada feito sol e me fala que fez um ditado e se saiu bem.
Eu sem muita vontade de olhar, mas fascinada por aqueles olhos brilhantes resolvo ler.
Penso nos meus ditados da infância - um monte de palavrinhas separadas por tracinhos.
Começo a ler e me deparo com um poema de Cecília Meireles. A leveza que eu procurava.
Lembrei então de umas fotos feitas num evento da escola ano passado ( era para escrever sobre, passou... ). Mas as fotos também são leves e quentinhas. Histórias da escola inteira costuradas!
Então: poema e foto!


A arte de ser feliz

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brincam, duas a duas, como refletidas no espelho.
Às vezes, um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. Eu me sinto completamente feliz.






quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Disfarçado de poema

Fechei as janelas
para a chuva de hoje.
Sempre deixo ver a chuva
pelas lágrimas da vidraça.
Hoje não.
Hoje chove em mim.

                           Ana Paula

Antes que perguntem se estou triste, chorosa... qual o que!
Fechei as janelas mesmo para dormir em plena tarde.
A noite foi muito ruim por causa do calor. Hoje passei o dia assim como estes ursinhos:




Dormindo em pé, caindo de sono.
Então, como não pega bem para uma dona de casa, cheia de gavetas para arrumar, escrever que dormiu de tarde, a gente  fecha a janela, dorme e faz poema!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sugestões para presentes

Sugestões para presentes de Rita Apoena

Amor
Bolinhas de sabão
O som de copos com água
O som das gotas no chão
Um sorriso tímido
Um coração encostado no outro
Um ou dois para sempre
Um avião nas mãos de um menino
Um barquinho de papel
Uma pipa atravessando as nuvens
Uma sementeira de tulipas
Um mingualzinho de aveia
Um par de meias listradas
Dois ou três cataventos
Uma palavra inventada


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Árvores da minha vida

Todos os lápis que eu usei
o berço que me embalou
as portas em tantos endereços
que se abriram
que abrigaram
que protegeram da ventania

Tanta fruta
tanta flor
sombra repousante
Tanto ar que se respira
que já foi respirado
por tantas árvores
em tantos continentes
Cada árvore
um palco
sinfonia da passarinhada


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Rotina enlaçada


A brincadeira era pega-pega
E quem pego fosse
ficaria a espreguiçar
gostosamente na varanda
que combina com o ensolarado do céu
com o vento que de correr esquece

E assim começou:
corre de cá
se esgueira de lá
ligeiro flutuou
e a rotina pegou

Na varanda, rotina ficou
espreguiçou
admirou
sonhou
Hoje só delongas

O uniforme foi pro varal
não teve chamada oral
ninguém ficou de mal
e o regador veio brincar no quintal

Laço na cabeça
laço no vestido
laço na rotina
Que dia mais bonito!