domingo, 3 de março de 2013

Meu lugar inesquecível - BC

Blogagem coletiva proposta pela Beth Lilás.
                                             Teresinha Ferreira
                                             Priscila Ferreira


Lembranças afetivas, visuais, olfativas ou sentimentais estão presentes em nossas vidas e nelas incluímos locais onde estivemos, lugares que guardamos para sempre e que ao relembrarmos traduzem suspiros e vontade de lá voltar novamente.
A nossa proposta é colocarmos em post uma homenagem a este lugar, contando o quanto ele nos impressionou e tocou nossos corações.
Você, certamente, tem algum lugar predileto, conte-nos qual é o seu?




Há blogagens coletivas que “nos chamam” e essa foi uma delas. Hesitei muito para escrever este texto porque houve uma disputa interna entre minha razão e a emoção.
Sobrepôs-se o coração ainda que a razão insista em dizer-me que estou desfocada da proposta. Por mais que eu tentasse me conduzir para determinados lugares, forçando-me inclusive visualmente através de fotos salvas no computador, lá estava todo o meu ser, parado em frente a um guarda-roupa. Cedi e ali fiquei de frente para o meu lugar inesquecível – um guarda-roupa.
Abri suas duas portas brancas e ali estavam as roupas dela, minha mãe.
Tocar naqueles tecidos era o toque que eu não sentiria mais.
E naquele momento, hoje tão distante pelos números que o tempo carrega, houve um choro desesperado que congestionou minhas narinas e no meio daquela tristeza úmida, um cheiro. Um cheiro se desprendia da última peça que esteve em seu corpo frágil. Aquela peça reteve cheiro da minha mãe.
E este cheiro me fez parar de chorar para poder sentí-lo e deixar que de alguma maneira ela estivesse novamente ali.
Diante daquele guarda-roupa eu vivi o meu luto e como a fênix da mitologia, ressurgi das cinzas.
Pode até se mostrar contraditório, triste, mas não o é. Estar naquele lugar é recordar uma pessoa de grandeza e amor impossíveis de narrar. É sentir que aquele cheiro está de alguma forma dentro de mim e aquela peça de roupa de dois tons de azul, hoje em minha memória, desbotou e se tornou uma roupa cor de rosa, cor de mãe, cor de afeto e afago.

12 comentários:

✿ chica disse...

Emocionante, pura emoção realmente! Tens esse poder!


Lindo lugar foste encontrara e como tua mãe deve ter ficado feliz ao ver, lá de onde está ,que ainda te causa tudo isso e que podes transformar azul em rosa. por saudades dela. LINDO! Adorei! beijos,chica

Calu disse...

Este lugar, que abriga a alma espelhada em cada batida do coração, é de tal forma único, visível somente por quem possui a sensibilidade de poder vê-lo nos contornos de cada peça de sua história.
Um lugar de afeto e de afago,conforme vc declarou, Ana.

Boa semana.
Bjkas,
Calu

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, coisa muito linda isso tudo. A postagem não é triste. Ela demonstra uma alegre superação da saudade do ente querido. A situação foi um conforto para se conseguir encarar a situação com naturalidade.
Tudo que sai de você fica bonito.
Beijo
Manoel

Beth/Lilás disse...

Oi, Ana Paula!
Pois isso que queremos, em cada texto uma história, um lugar guardado na memória para sempre, marcante, mesmo que no início tenha despertado dor, mas no final deixou um sentimento maior, e um cheiro pra sempre de mãe.
Ah gostei muito de sua postagem, inusitada, diferente das demais, mas com um conteúdo lindo e emocionante.
Obrigada por ter participado de nossa proposta.
beijos cariocas




Tina Bau Couto disse...

Emocionante!

Moro em um Kinder Ovo disse...

Fiquei emocionada com o seu texto e trouxe uma doce lembrança porque eu também adorava brincar dentro do armário da minha mãe. Armário antigo, resistente, de duas portas somente. Era lá que eu me escondia dentro dos seus casacos de pele e até hoje fico pensando no seu sacrifício para estar bonita em uma cidade onde os termômetros alcançam fácil, fácil os 35 graus. E o sapato azul turquesa que tinha um belo laço na frente? Também foi diante deste armário que vesti de luto a minha alma. Agora eram seis portas de roupas e acessórios e vi que não possuíam o mesmo brilho de antes porque a luz havia partido.

Nina disse...

Esse também ja´foi um dos meus lugares preferidos. Adorava abrir o guarda roupa da minha mae e ver todo aquele mundo de cores, flores, e brilhos, se abrir diante de mim. Era lindo!
Claro que nao havia dor, somente se minha mae me pegasse mexendo nas suas coisas, aí sim, doeria... mas era uma dor nao comparada com tua Ana. Sinto tanto.

Mas de qq forma vc mesma falou que nao doeu, que foi bom, que vc voltou e ela tbm... achei mt linda tua viagem.

Amanha posto a minha.
Bjs

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Minha linda...

Você me deixou emocionada!

Que linda a sua participação!!!!


Beijos


Selma

Teresinha disse...

Olá Ana Paula,
Obrigada pela linda participação na BC.
Me emocionei ao ler seu texto. Que lindo! Que triste! Quanta emoção...Uma viagem mais que espiritual e olfativa. Suas palavras flutuam diante de tamanha emoção e ternura. Amei!!! Sinto, de coração essa distância e esse vazio.
Beijos mil.
Já estou no seu tão charmoso cantinho.
www.democratizacaodamoda.blogspot.com

Luma Rosa disse...

Enquanto lia, senti o cheiro da minha mãe, lembrei do seu olhar, das mãos sempre ajeitando a minha roupa no corpo e perguntando se eu estava com fome. E a sensação de ser filha que nunca mais terei?

Quem não tem mais mãe ficará tocado com esse texto.
Beijus,

Priscila Ferreira disse...

Obrigada pela participação, fiquei muito feliz de ter 'brigado' com sua razão, pois era isso que buscávamos!
Muito emocionante sua história e sem dúvida inesperado o seu lugar inesquecível!
beijos ;)

EdeEtienne disse...

Oi, Ana Paula! Linda a sua participação. Abrindo o coração... me emocionou. Bom final de semana. Bjs.