terça-feira, 2 de julho de 2013

Geografia das manifestações

 Hoje, segundo dia de julho, acho que a maioria não suporta mais ouvir falar em protestos.
O segredo está na dose, diria alguém da antiguidade, já os excessos...
Ainda assim abordarei o tema.
Aqui em São Paulo, a Avenida Paulista é o grande palco para manifestações, e foi assim  que ocorreu mês passado.
Outras manifestações tomaram o chamado Centro Velho que abrange a região da Praça da Sé e a que já foi glamurosa Rua Direita.
Quem atualmente passa por aquela região, nas primeiras horas da manhã ou ao anoitecer, sabe que aquelas ruas são verdadeiros "albergues" a céu aberto, cobertura de algumas marquises. 
O odor nauseabundo revela as condições daquelas pessoas.
E aonde estavam aquelas pessoas fétidas nas noites enevoadas de gases de efeito moral?
Errou se você está respondendo que elas estavam badernando, pichando, saqueando.
Reportagem da Tv Folha do dia 23/06 ouviu a opinião de uma dessas pessoas.

"O povo tão certo mesmo, tipo, eles tão tipo uma família lutando por um direito que é deles mesmo".

Eles não têm energia, seja calórica, seja motivacional para protestar, lutar, saquear. No ponto em que chegaram, não se consideram nem parte do povo. Estavam sentados em qualquer chão frio somente olhando.

Uma geografia que foi mencionada em dois segundos.

13 comentários:

✿ chica disse...

Triste isso.Eles já se sente excluídos de todo esse processo! Pena! beijos,mas ninguém aguenta mais falar nisso,né? Tens razão.


chica

Alê Lemos disse...

Isso foi interessante. A população sem teto só ficou olhando aí? Aqui eles se aproveitaram da muvuca para assaltar. Um amigo disse que viu dois assaltos, mas que uma multidão se voltou contra um moleque. Tenho medo até de saber o que aconteceu com o garoto.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, infelizmente é isso mesmo e todos nós somos responsáveis por uma parcela disso. Não custa nada disponibilizar um tempinho de nosso "descanso" para ajudar na recolocação dessas pessoas na sociedade. Precisam apenas de algumas mãos bem intencionadas para isso. Pode ser utópico, mas acredito que um dia conseguiremos fazer isso normalmente.
Beijo
Manoel

Flávia Brito disse...

Sabe Ana, é interessante este seu post porque a mídia e a burguesia caracterizaram as manifestações como sendo formada por pessoas que não precisavam estar reivindicando aqueles centavos "blábláblá", mas a questão é: Quem eles esperam que proteste? A massa que não tem condições de se organizar e questionar o sistema porque está tentando sobreviver? Em poucas palavras esta criatura à margem desta sociedade resumiu o sentimento de injustiça clamado nas ruas.

Beijos!

lis disse...

Oi AnaPaula
Andar pelos blogs é bem tranquilo, a maioria está voltada para outros assuntos,nos tais facebooks é uma poluição total... rs até andei tentando me adaptar por lá por ser mais ágil mas deusmelivre _ tem milhões de quadrinhos com frases de manifesto_um caos insuportável... rs
Vamos ver o que vai sobreviver _sinceramente nao tenho muita fé no nosso povo _ mas tomara que dê frutos e que amadureçam e que o número de marginalizados pelo menos nao cresça.
um abraço grande e obrigada pelo abraço de chegada.

Beth/Lilás disse...

Oi, Ana Paula!
Coitados destes que já nem se consideram como seres humanos! São os invisíveis ou zumbis que estão em todas as grandes cidades deste país.
E é por eles que as vozes estão se levantando. Certamente muitos já estão começando a achar enjoado tudo isto, mas no meu ponto de vista,ainda não é o momento para se parar, muito ainda tem que ser feito e cobrado, não adianta parar no meio, agora é seguir em frente.
um grande abraço carioca


Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi Ana!

Tem coisas que me faz "engolir seco" e esta declaração fez isso. De tão excluídos já não se sente mais parte da sociedade.

É uma lástima o que a tal da desigualdade faz...

Beijos, flor!

Tina Bau Couto disse...

Vivendo e não sendo vistos e tratados como humanos, já tem suas asas e mentes podadas. Triste!

Moro em um Kinder Ovo disse...

Recebi esta mensagem e ela traduz bem o que está acontecendo: O raio flambou os currais do cerrado onde o gado bastardo já cansou de pastar. E pensar que existem pessoas que nem mesmo se sentem no direito de usar este pasto!!! São tantas as prioridades, tanto o que fazer e aqueles que têm nas mãos o poder de fazer estas mudanças são indiferentes aos desejos da população. A gente abre um jornal sabendo que, com certeza, vamos encontrar o escândalo do dia: o de hoje é a viagem do presidente da câmara, em jato da FAB, para assistir o jogo final da Copa das Confederações, com a família e agregados. Dá vontade de chorar??

Clara Lúcia disse...

Que triste...
Talvez até estejam acostumados a não serem ninguém.
Nem tenho o que dizer sobre essa opinião.

Bejos

Luma Rosa disse...

Oi, Ana Paula!
Às vezes penso que todos nós temos uma visão distorcida de tudo e para acharmos a visão certa, dificilmente olhamos com os olhos do outro, justamente porque não vivemos a sua condição.
Essas pessoas que vivem à margem da sociedade, podem até pensar que quem protesta não precisa, mas é triste ver as ruas infestadas de gente à margem da sociedade em dias normais...
Daí vejo que a nossa sociedade deu um salto quando vai para a rua pessoas que não precisam andar de ônibus mas estão ali pensando no seu semelhante. A sociedade não evolui se não evoluirmos todos juntos.
Por mim, não deviam perder o incentivo, deviam protestar mais! Mas agora que as TVs e reporteres internacionais não estão na rua, o governador do Rio tem mandado prender qualquer um pela soberania da ordem social. A pessoa vai presa e sai somente se pagar fiança. Como uma multa por praticar desordem. E a nossa presidenta hoje nos telejornais também falou em "ordem" de forma bastante autoritária. Pois é disso que temos que temer... quando a liberdade de expressão sai por uma porta, a ditadura entra por outra.
Beijus,

A BETI disse...

Lamentável a maldade do ser humano!
Resumo em uma única palavra Egoísmo.
Enquanto não houver atenção a educação... nada vai mudar.
Bjs amada.

VERINHA TIBURSKI disse...

Oi Ana.
Pois é assim que caminha a humanidade que nem chegam perto para ouvir seus problemas, jamais alguém da saúde ou educação se preocupou em tirar estas pessoas da rua e dar ocupação para eles. Em minha cidade Jaraguá do sul -SC, foi criada a frente de trabalho, eram ocupações de seis messes com cesta básica e um curso profissionalizante e um incentivo em dinheiro, aquele que se destacasse no trabalho continuaria na empresa, não saia dinheiro algum das empresas pois a prefeitura repassava este dinheiro, depois destes seis messes a empresa contratava e passava a custear o trabalhador. Muitas pessoas saíram das ruas e da condição de miseráveis. Logo que o outro prefeito assumiu o cargo acabou com esta frente, então ninguém se incomodou porque não se importavam com reles mendigos. Dava-se passagens de ônibus e de avião para a pessoa voltar para sua cidade, mas tudo isso terminou. Comecei a indagar do porque e fui colocada trabalhar na portaria de obras conferindo as coisas que saiam de lá por uma semana, para ficar quieta, claro que me aquietei pois tinha duas filhas para criar sozinha. Estou dizendo que para haver mudança é lá nas urnas que deveria haver manifestações tirar deles o que eles mais querem de nós.
Um abraço.