segunda-feira, 16 de setembro de 2013

As regras femininas

No post passado eu citei o livro A menina do tempo, que comprei para minha filha e antes de lhe entregar, resolvi ler.
Depois da leitura, fiquei hesitante se ela deve ou não ler, e se decidir pelo sim, creio que será necessário alguma conversa antes.
A criativa história da menina que vai representar num telejornal elaborado pela escola, a menina do tempo, que na vida real é filha da moça do tempo da tv, é uma leitura agradável, onde além de curiosidades sobre o tempo meteorológico, há uma abordagem e reflexão sobre a anorexia, quando uma amiga está internada sobre rigoroso tratamento para que se alimente, traz o tempo em sua passagem ritualística quando a menina se torna mulher.
No decorrer da história, a primeira menstruação pontua o crescimento, o deixar de ser criança, os dilemas da adolescência.
E esse não é o problema, afinal desde os idos da extinta cegonha, nossas crianças sabem muitas coisas que nós demoramos bem mais tempo para começar a pensar!
O que eu identifiquei como problema foi a maneira que a autora usou para abordar esse assunto.
"Desgraça pouca é bobagem"; "um desastre"; "é repugnantemente nojento isso" são algumas das frases utilizadas para indicar como a protagonista encara o assunto.

A classificação indicativa é a partir de 10 anos, ou seja, muitas meninas que lerão ou leram o livro ainda não menstruaram, e será saudável que encarem essa transição, esse momento dessa maneira?
Creio que a maioria feminina sente que esse período tem sim seus desconfortos, leves ou intensos que necessitem até de intervenção médica/medicamentosa, especialmente na adolescência é um empecilho para a praia, piscina e depois com o tempo, vem a experiência, aprende-se a conhecer o próprio corpo e a lidar melhor com a situação.

De assunto proibido no passado, as regras femininas ( assim era o termo utilizado ) "evoluíram" deixando de ser tabu.
Mas o que vocês meninos e meninas amigos virtuais, acham do assunto?
Ainda que se concorde com todos os aspectos ruins, transmitir esse conceito para a menina que acaba de se tornar uma mocinha, é legal? Ou é isso e pronto? Gostaria de conhecer a tua opinião!
Beijo.

25 comentários:

JAN disse...

Vichchch!!! Esse assunto é delicado e bastante pessoal... mas achei meio pesada.
"Repugnantemente nojento"?

Abração
Jan

✿ chica disse...

Mesmo que seja chato, é uma coisa que marca muito se for lido ou ouvido qualquer coisa mais forte. Lembro que minha avó foi quem me falou e fez um drama, uma coisa muito feia, muiiiiito mesma. Falou destrambelhadamente de todas as consequência e me senti mal e parece incrível, hoje, te contando isso, parece que ouço aquelas baboseiras todas. Assim, talvez por isso, as minhas gurias ganhavam flores quando menstruaram pela primeira vez, cheias de carinhos meu e do kiko.

Acho que essa parte do livro não me agradou,mas, faz o que achares melhor, ouvindo o teu coração que saberá driblar e explicar que a autora estava meio maluquinha quando escreveu aquilo ou outros papos,rs beijos,tudo de bom,chica

Poesia do Bem disse...

Realmente não gostei da expressão da autora, pq na idade que menstruamos podemos até mesmo achar isso , porém o tempo evolui tem tanto de bom , saber que é normal é um ciclo , significa que somos férteis, que somos saudáveis e que podemos ou não menstruar escolhendo novas técnicas na fase adulta. Um tema bem particular para cada criação. Nunca explique os detalhes a Alice afinal tbm só tem 6 anos, mas me ver menstruada. usar absorvente, sem tabus, se ela não pergunta, não falo nada, Tudo a seu tempo. Venha ver que lindo está nosso jardim lá no Poesia

Rovênia disse...

É preciso saber o contexto todo para analisar. Se alguém falou isso no livro e o personagem retruca e fala sobre preconceitos, tabus que precisam ser derrubados, talvez o saldo tenha sido positivo! Como não li, fica difícil opinar! Mas se não houve essa abordagem, ficam realmente instalados o pejorativo, o indelicado, a abordagem inadequada. Fiquei curiosa!

disse...

Olá!
Nossa, também não achei legal as expressões usadas pela autora.
Isso é uma coisa tão normal, faz parte da nossa essência feminina.
Mas, procure ouvir a voz do seu coração.
Linda noite!
Com carinho

Blog: Femme Digital

Bia Hain disse...

Oi, Ana! Tenho uma filha de 18 anos e por anos criei uma enteada quase da mesma idade... penso que algumas adolescentes encaram com uma certa tranquilidade, enquanto para outras é um suplício. Para minha (ex) enteada era um tabu e acredito que passar as regras femininas dessa forma tornaria o momento ainda mais complicado e passível de auto rejeição.
Tem razão em conversar antes de entregar o livro, para avaliar até que ponto a leitura ajudará, ou atrapalhará essa transição tão delicada. Numa fase de estranhamento corporal, encarar menstruação como algo nojento pode prejudicar esse processo tão natural.
Um abraço!

lis disse...

Oi AnaP
Pense que se não der o livro ela poderá ler em outro momento outros iguais a este,com os mesmos sentimentos de nojo e tal.,
então melhor será comentar sobre o assunto e colocar o que pensa a respeito_ explicando que nem todas as pessoas reagem bem nessas situações , explicar direitinho que não há nada nojento nisso ... voce sabe como orientá-la pra que entenda o pensamento de cada autor.Nao sei se me fiz entender , mas voce saberá fazer o melhor.
um abraço grande

Felisberto Junior disse...

Olá!Bom dia
Ana Paula
não li o livro, mas entendo que vc fez bem ... antes de entregar, ler, e pelos termos utilizados pela autora, creio mesmo que será necessário alguma conversa antes. Por coincidência, estive conversando com uma psicóloga e hebiatra , ( sou pai solteiro,atualmente, e tenho uma filhA de 12 anos) sobre tudo, inclusive anorexia, menstruação e outras regras. Com a revolução de costumes , o sexo – e tudo relacionado a ele – passou a ser encarado com mais naturalidade.Mas, é impressionante como esse assunto continua um tabu, mesmo para as jovens de agora. E isso nada tem a ver com a falta de informação das meninas de gerações passadas, que não entendia o que estava acontecendo. Hoje, não... sabem, desde pequenas.Elas aprendem isso em casa ou na escola, com amigas ( ou na net).Ainda assim, quando o dia chega, é um drama. e DIZEM QUE um dos fatores mais importantes para a manutenção do tabu em torno da primeira menstruação é que ...a menarca precoce é uma característica da vida moderna, estão menstruando cada vez mais cedo – e, quanto menores elas são, mais intensas são suas aflições. É uma confusão só. Então, devemos estar sempre pronto para uma conversa franca . Por exemplo, o que foi "escrito" no livro, tende a aumentar a angústia e fazê-la demorar a encarar a menstruação, ou outras "regras", com naturalidade, não devemos forçar nenhuma situação de sentimentos controversos nas "pequenas."
Agradeço
Bela semana
Beijos



Ana Bailune disse...

Nunca gostei de menstruar, e me sentia da mesma forma. Tomava vários banhos por dia. Detestava!

Clara Lúcia disse...

Uma situação que não tem como ser diferente e vai ter que ser encarada até os 50 ou mais anos, acho que não deve ser apresentada assim não!
Antigamente que era assim, um tabu, uma vergonha, uma sujeira, mas hoje em dia não. Mulher é assim mesmo e é bem melhor encarar com naturalidade do que com "que saco isso".
Com minha filha sempre fui muito aberta a qualquer assunto e muito prática. Tanto com esse assunto e com sexo também. Ela nunca teve vergonha ou receio de ser mulher e encara tudo normalmente até qdo uma situação constrangedora acontece, como sujar a roupa, por exemplo. Afinal todo mundo sabe que mulher menstrua. Pra quê encarar como sofrimento?
Nos meus 11 anos, lá no século passado, minha mãe mal me explicou esse lance de menstruar que eu não entendi nada, e no outro dia já estava sangrando. Tive que me virar, observando as amigas ou perguntando pros outros. Foi bem diferente. E sofria tanto com cólicas que chegava a desmaiar. Então, cansada de tanto sofrimento, qdo fiz 18 anos procurei, sozinha, ajuda médica. Resolvi o problema.
Isso sim foi chato.
Mas qto mais natural e mais bem informada, a criança/adolescente vai encarar de uma forma natural o que não pode ser evitado.

Beijos

Maria Alice Cerqueira disse...

Querida amiga,
Vim agradecer sua presença lá no meu cantinho!
Obrigada de todo o coração pelo seu carinho!
Um lindo dia para você!
Abraço amigo!
Maria Alice
Htts://www.facebook.com/mariaalicefcerqueira
http://www.mariaalicecerqueira.com/

Patricia disse...

Oie, tudo bem?
Por aqui tudo certo, adorando a vida de volta a SP mas de saco cheio das mudanças constantes no tempo. rs
Saudades do calor do RJ.

Bom, minha opinião é que vc espere um pouco para que ela leia este livro, esse tipo de coisa marca e adolescente potencializa tudo.
Quando acontecer com ela, pode ser que seja um drama desnecessário pq tá com ideia errada na cabeça.
Mas talvez ela passe por essa parte sem grilo pq ainda é algo distante da realidade dela.

Boa sorte e obrigada pela visita no blog! : )


Tina Bau Couto disse...

Eu acho um monte de coisas, primeiro o antes e o depois desse comentário é importante, para saber a intenção dele, quem sabe seja falar desse lidar com a visitante mensal comum a muitas meninas e mulheres, os termos forma bem chulos, mas o mundo anda cheio de termos chulos, ouvi-los e lê-los com senso critico é um bom direcionamento a ser dado.

Eu me achei A TIA por minha sobrinha ter ligado para mim no dia que emoçou (com quase 15 anos), cheia de euforia e dúvidas, a mãe é do tipo, que vc quer que eu diga, tpm é falta de porrada, usa absorvente e não me enche o saco e se engravidar te mato.

Eu sou do tipo, já ter dado um livrinho a ela já pratasmente da turma da Monica, linguagem bem leve, sobre esse assunto e mais pra frentemente fiz a assinatura da Capricho, para ela ver modices, atores e na verdade a intenção era os assuntos juvenis, que eu disse de antemão ela ponderasse todas as materiais e declarações, como tudo que ouve das colegas e vê em filmes e na internet (com total liberdade da mãe).
Liguei para ela mais de uma vez no dia, dei dicas, deixei ela falar o que estava sentindo, lembrei do livrinho e disse para ela ler de novo agora já mocinha, marquei a data em carfree para ela já mulher rir e relembrar do momento.

Meu método para bordar tais temas é um passo a frente, pergunto sempre como quem não quer nada, as vezes cara a cara, as vezes enquanto tiro o pó da estante, na hora do almoço, num passeio:
- O que vc sabe sobre isso
- Você já ouviu falar daquilo
- Sabe o que significa tal coisa
E a depender da resposta dou a minha resposta sempre ilustrada e com comparativos.

Lá em casa o papo era do tipo é um sofrimento, medos, pudores exagerados, eu não podia falar e ainda hoje minha mãe se choca com a palavra: mestruação, sem jeitices para comprar um absorvente e afins.

Eu sempre fui desencanada, higiênica, discreta e bem informada. Adoro e valorizo a variedade de acessórios da atualidade, faço uso de tudo e acho que temos que achar a criação do corpo humano uma engrenagem fantástica e não um mistério.

Kellen Bittencourt ( Trilhamarupiara) disse...

Oiii Ana, nossa a autora errou feio, mesmo que as meninas pensem assim em um primeiro momento ela não devia reforçar penso eu, sei não, acho que esse livro vc pode arquivar rsrs Bjoossss

disse...

Não, não é isso! Por mais que possa parecer estranho, adoro menstruar. E acho que, em algum lugar do planeta deve haver gente como eu. Minha ginecologista já me prescreveu anticoncepcional de uso contínuo e eu simplesmente odiei não ter meu tempo de menstruação. É um processo tão natural que não deveria ser encarado com tamanha repulsa. Mas sabe o que acho, esse modo de ver as coisas é extremamente machista, mulher não pode mais ter pelo algum, tem que usar sabonete íntimo, protetor diário de calcinha, tem que ter um cheiro que não é dela e também não pode menstruar porque é nojento. Não sei qual o contexto em que essas frases aparecem no livro, mas não gosto delas rs. Beijão Ana Paula.

CamomilaRosaeAlecrim disse...

Olá! Bom...eu tenho uma menina de 10 anos que está em fase de quase virar mocinha e acho que ler um livro que irá acrescentar informações, porém de uma forma triste como esta, não vale a pena...Como ela vai encarar, lendo que é algo nojento, ruim!!! Gente!!! Vai ser todo mês, e a autora usa o tema desta forma! Não sei não, acho que eu não daria para ela ler! Ou daria e explicaria da minha forma.
Beijos
CamomilaRosa

Cristi@ne disse...

Olá querida...
Realmente quando menos esperamos esse assunto já está corriqueiro no meio de nossas meninas... penso eu srsrs, mas acho boa ideia sempre ir conversando sobre, para que não venha com surpresa... eu sofri muito desde o começo do meu "período" e infelizmente não fui muito bem esclarecida pela minha mãe... acho que hj em dia está mais aberto a conversação e os métodos para não se sofrer tanto... com cólicas e etc... :D

Bjokas e uma semana abençoada!

Alê Lemos disse...

Conheço algumas meninas que tiveram a primeira menstruação aos 15 anos, mas eu tive aos 10, idade em que tivemos na escola as primeiras aulas de educação sexual. Eu lembro que eu tinha problemas com esse assunto, achava sexo nojento e odiava as terriveis cólicas, então acho verossímil a reação da menina ao achar suas transformações físicas nojentas. Muitas crianças* que estão nessa transição para a adolescência vêm com maus olhos o amadurecimento do corpo. Acho que realmente vc deveria ler esse livro com sua filha, justamente pra verificar como ela está encarando seu desenvolvimento. se ela se identificar com a personagem explique a ela que não há nada demais em menstruar e "virar mocinha".
* No filme Carrie a estranha vemos um exemplo disso.

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida
Tive um péssimo dia na primeira vez em que fui mocinha (rs)... nem posso contar aqui... rs...
Minha mãe nada me explicou e tive que engolir o que me aconteceu (foi aos 11 anos e me deixava ainda pentear cabelos e gostava de bonecas)...
Nada é ruim, Deus faz tudo certo mas certas coisas precisam só serem conversadas...
Com minha filha, foi tudo muito mais fácil, certamente!!!
Acredito na conversa de olho a olho com a filha... livro pode não ajudar, em certos casos...
Bjm de paz e bem

thalento arnônimo disse...

Tenho dois irmãos homens e dois filhos homens. Por absoluta falta de experiência no assunto, prefiro me abster de opinar.
Beijos.

Nina disse...

Acho mt plausível sua leitura antes de dar a filha, nao fazemos isso normalmente e depois nos assustamos qd nos deparamos com o livro nas maos que demos aos filhos.

Ontem mesmo, notei isso,qd estava lendo pra meu filhinho um livro que que comprei no brasil, um livro para criancas que tinha uns termos horriveis! dei gracas a Deus que ele nao entende tao bem portugues :-( lia meio horririzada, enquanto tentava pular algumas frases...

ja guardei aquele treco nas minhas coisas...

eu heim!

Renata Diniz disse...

Oi Ana! Vim através do blog da Anne Liere, com muito prazer de conhecer a sua casa cibernética.

Eu também achei a linguagem do livro um pouco inadequado. Penso com ir com calma é melhor.

Beijo!

Moro em um Kinder Ovo disse...

O que fica é a importância da abordar o tema e este é o primeiro passo para se achar o melhor caminho.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, muito boa essa sua postagem. Aprender essas coisas em "salões de jogo de sinuca" é pouco recomendável (rs...rs.).
Eu acho que tem que conversar e explicar a naturalidade das coisas. Homens e mulheres tem o corpo diferente e tem os porquês disso. A "química" também é diferente e todo o desenvolvimento não deve ser um mistério. Tem que ser explicado e até comemorado como uma normalidade decorrente da evolução do ser humano.
Infelizmente o tabu existente não permite um diálogo entre pais e filhos objetivando esclarecer e mostrar que tudo o que ocorre no desenvolvimento do homem e da mulher é normal e muito bonito. Digamos até que seja "sagrado", de tão bonito!
Acontecendo esse diálogo desde sempre, pode e deve ler esse tipo de livro porque se tiver dúvidas pergunta para os pais. É também obrigatório que os pais leiam antes e analisem o assunto. No caso desse livro eu particularmente acho deprimente sentir que menstruar seja a pior coisa do mundo. Vamos mandar embora os negativismos das nossas normalidades, não é?
Vou parar por aqui porque acabo escrevendo um livro, mas acho que tem que conversar sempre e transmitir tudo conforme os costumes nossos.
Beijo,
Manoel - Blog do Óbvio

Etienne disse...

Hey, Ana! Palavras duras as que a autora escolheu. Menstruação não é bicho-papão! Conversa entre mãe e filha é algo bem particular, pois só você a conhece muito bem. Sua sensibilidade e seu coração de mãe estarão a lhe guiar. Bjs.