terça-feira, 23 de junho de 2015

Asilo e creche juntos

No mês passado meus filhos me pediram para comprar fralda geriátrica pois queriam participar de uma campanha de arrecadação na escola.
Fomos juntos, eles perceberam como são caras as fraldas ainda mais que um pacote dura somente alguns dias, daí a importância da campanha. No dia em que entregaram na escola, foram informados que haveria um sorteio para os que estavam participando da campanha e iriam conhecer e fazer a entrega num asilo.
Ambos vieram entusiasmados com a possibilidade.
E aconteceu! Os dois foram sorteados!
Bernardo foi ontem a um asilo e Júlia, hoje, em outro.

Foi o primeiro contato deles com esse tipo de instituição e de situação, pois os asilos que visitaram são para pessoas de baixa renda e a maioria ali está abandonada pela família.

Bernardo achou muito triste, especialmente o abandono e a carência material.
Júlia se emocionou ao ouvir de um senhor que ele estava muito feliz por receber a visita deles, mas eles iriam embora e a alegria também.

Foi excelente eles terem tido contato com essa realidade porque a novidade abriu espaço para diversas reflexões. Disseram que nunca me colocariam num asilo. Primeira ideia errônea.
Conversamos sobre os vários tipos de instituições que existem e que muitas vezes pode até mesmo ser uma decisão da pessoa querer viver ali ou em certos casos, ser necessário estar num lugar desses pelos cuidados que seriam difíceis de serem dados em casa. O maior problema mesmo é o abandono pelos filhos, familiares.

Curiosamente, hoje li um artigo da Rosely Sayão falando que as mães recorrem aos pediatras e quase nunca aos pais ( avós ) para tirar alguma dúvida sobre a criação dos filhos. Não há mais confiança nos avós, segundo a pesquisa que ela relata. Uma outra forma de abandono.

E também foi hoje que encontrei em vários sites, a divulgação de uma creche e asilo juntos nos Estados Unidos.

Segunda ideia errônea (da minha parte) - quando li que crianças estavam no mesmo espaço que os velhinhos, senti piedade deles. Pensei no silêncio e paz que eles precisam. Estava errada.
A tristeza que meus filhos viram nos asilos que visitaram, a apatia, é transformada na presença das crianças, na convivência com elas. E elas aprendem sim a respeitar os idosos.

Deixo aqui o vídeo de uns quatro minutos para você também se surpreender!


10 comentários:

✿ chica disse...

Que legal essas experiências dos dois! Valeu, com certeza e eles farão belas reflexões, à medida que o tempo passar! Adorei o vídeo e ver a interação e alegria dos velhinhos! Crianças e velhinhos é uma bela combinação e um aprende com o outro!

bjs, tudo de bom,chica

Majoli disse...

A experiência de seus filhos com certeza mexeu muito com a cabeça deles.
Meus filhos também dizem que nunca vão me colocar em um asilo, mas eu disse que vou por conta própria.
O vídeo me fez chorar...
Boa noite Ana Paula.
Beijos.

Poesia do Bem disse...

É mesmo uma experiência emocionante que trás muita reflexão e aprendizagem do amar. Fui com minha irmã numa silo em Goiás e me senti muito trsite ao ouvir de alguns já abandonados e sem muita consciência mas a lembrança e na espera de que a filha viesse lhe buscar. Doeu demais!!!

Bell disse...

Legal essa experiência.

bjokas =)

Vania Lucia disse...

Incrível Ana Paula!
Eu já tinha pensado nesta possibilidade de juntar o início e o fim...
Este é um assunto a ser muito pensado, discutido e mudado.
Os idosos tem muito a ensinar e nós embora pensemos o contrário, temos muito o que aprender com eles.
E criança, só trás alegria aos corações.
Muito bom o post. Parabéns.
Bjs

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Ana Paula.
Tema doloroso, esse. Não é tão linear, tem muitos "ses", muita tristeza, muito desleixo, muito abandono, muito desinteresse e incompetência dos governos.
Aqui em portugal, há pouco tempo, foram desmantelados vários falsos asilos/lares em que, apesar dos altos preços cobrados e até subsídios do estado, recebidos indevidamente, as pessoas eram tratadas como lixo - sujeira, desleixo e até sedados e amarrados ou trancados, para não perturbarem ou não tentarem escapatória.
Se há situações, em que as dificuldades que os empregos impõem impedem os filhos de darem o desejado apoio aos pais, há muitos mais casos em que os filhos não querem essa responsabilidade - principalmente quando há doenças e debilitações - e até chegam ao ponto de deixarem os seres indefesos nos hospitais - sem necessidade disso! - para passarem férias, ou conseguirem despachar os "trastes".
E há ainda os que surrupiam as parcas reformas dos pais, para "engrossar" as finanças sem lhes prestar os cuidados devidos.
Há tantas histórias... e em "famílias de bem", que ainda se vangloriam de "cuidar dos velhos".
Infelizmente, a exceção da regra são os raros bons asilos e os raros bons filhos-cuidadores.
É o mundo que temos. É a sociedade em que vivemos.


bjn amg

Carmem Grinheiro disse...

Essa experiência que a escola proporcionou às crianças, em que seus filhos tiveram a sorte de participar - digo sorte, porque, a eles, engrandeceu emocionalmente e fê-los reconhecer uma responsabilidade, que era a intenção pretendida - tem sido buscada por alguns bons estabelecimentos de ensino, em que há a preocupação de trazer esse tema tão difícil quanto necessário, às nossas crianças, precisamente a buscar a mentalização desde cedo para a questão do abandono na velhice.
Conheço aqui uma creche que já funciona há muitos anos nesse sistema conjunto com um lar/asilo, e tem tido muito bons resultados no bem-estar dos idosos - sentem-se úteis e até rejuvenescem! - e também tem conseguido incutir uma forma de estar muito ativa nas crianças, desde tenra idade. Muito bom =)

bjn amg

Pandora disse...

A família da minha mãe é conscienciosa com o cuidado com seus idosos, são pacientes, carinhosos, aprendi com eles.

Gente, esse video é curto, mas faz chorar ein!!! Que coisa linda!!!

Tina Bau Couto disse...

Eu adorei a idéia das crianças com os idosos desde o primeiro momento que vi a notícia
Visualizei muitas possibilidades, trocas
O poético do entre a semente e a flor, haver o tempo
Desde a idade da Julia eu amava velhinhos
Na minha escola era oferecido todo ano um café pelo dia dos idosos, tem um sabia?
Vou contar lá mais
Me contagiou
E vou tentar contra a negativa do pai e do próprio levar o meu filho, mandar com a escola, pois sei é transformador
E um dia que seja
Uma criança, adolescente, adulto
Uma visita que leve alegria
A alegria não vai embora como o senhor disse
Não fica toda, mais fica
Amor, carinho, gentileza é para sempre

Abandono de idosos
Negligenciamento e adultização da infância
Tudo tão mais grave e necessitado de defesa, de bandeiras, de busca de soluções e mudança que tantas bobagens

Indo ver o vídeo, sei que depois não ia coordenar minhas emoções

Leticia Manzano disse...

Olá, tudo bom?
Meu nome é Leticia, sou estudante de arquitetura e urbanismo em Maringá, no Paraná.
Estou fazendo uma pesquisa para meu Trabalho de conclusão de curso que envolve essa experiencia do convivio entre idosos e crianças.
Me interessei muito no seu depoimento, caso voce não se importe, será que eu posso realizar uma pesquisa com voce, via e-mail mesmo, para que eu possa registrar essa sua experiencia em forma de pesquisa?
Desde já muito obrigada.