sexta-feira, 19 de junho de 2015

Sexta-feira de feira


Sexta-feira, na casa de minha infância, era dia de feira e faxina.
A feira de sexta-feira foi a primeira que me lembro frequentar de braços dados com minha mãe, sacola de lona e pastel de almoço!
Adorava essa parte do almoço. Como era também dia de faxina, para não se atrapalhar entre as panelas e a enceradeira, almoçávamos na feira. Eu ia para a escola no período da tarde e quando voltava, o chão de vermelhão brilhava, a estante cheirava a lustra-móveis, as roupas estavam passadas, a fruteira cheia.
E assim fui me apegando ao gostoso "ir à feira". Na sexta, trivial e necessário. Aos domingos, feira mais longe, o passeio era no carro de papai e tinha a parada na barraca do japonês: saquinhos de doces vinham na sacola em companhia de sardinhas frescas, melancia e outras delícias.

Por e-mail, a Tina me falou de um livro:


Estava com 50% de desconto. Por conta de meu apreço e pensando em encontrar a minha feira de sexta-feira e domingo nele, adquiri.
Li, e gostei metade.
E como disse lá naTina, preferia não saber.

Encontrei boas histórias, algumas coisas eu já conhecia, ensinada pela minha mãe, por exemplo, os preços que vão baixando no decorrer das horas. Às sete da manhã, tudo mais caro, e também mais bonito; meio-dia, hora da xepa e gritaria total - liquidação na feira!
O dia em que vi o preço de uma fruta e no momento em que eu olhava, o feirante tirou o pregador do papel com o preço e o virou, deixando à mostra um preço menor, fiquei ali admirando, como fosse uma mágica!
Mamãe também alertava para as balanças, que na época eram com aqueles pesos ( filizola vermelha ) ou ainda com os dois pratos, onde era melhor você mesma segurar firme e "estimar" o peso para não ser passada para trás.
Isso até hoje não consigo! Saber se tem um quilo ali...

Muitas mudanças houveram nas feiras. Leis para regulamentar e organizar melhor a convivência entre feirantes, moradores, trânsito, mudaram em muito a cara da feira.

No livro de Júlio Bernardo, ele retrata as feiras no auge dos anos 80 e 90 e eu preferia não saber de algumas coisas.
Que são um dos trabalhadores que mais acordam cedo, eu sabia. Duas horas da manhã já de pé para abastecer o caminhão com mercadorias, depois se dirigir ao local da feira, montar as barracas. E para aguentar o frio, o sono, cansaço, além do álcool, muita droga rolava por ali.
Muitos filhos de feirantes foram concebidos nesse amanhecer, lá no caminhão. Desconhecia e tem lógica: para eles que acordam e vivem na madrugada e geralmente trabalham em família, resta esse horário para procriar. Como disse, esse relato são das feiras do passado.
A agressividade, rivalidade, armas, brigas com facas...
Mas também o companheirismo, a troca de produtos ao final da feira, o trabalho oferecido para ex presidiários.
Gostei, metade só. Prefiria não saber e ficar com o colorido, com a alegria. Escolho ficar com essa metade.

Entre temperos, ingredientes frescos, o encontro com uma comadre, a troca rápida de uma receita, uma dica, eu a Tina convidamos para a Blogagem Coletiva sobre comida.
Como o pessoal se animou com o varal de leituras e houve uma boa confusão ( ! ), vamos fazer nesse sábado e depois entramos nos eixos fazendo uma por mês, sempre no primeiro sábado de cada mês, até onde render.
Então, amanhã sábado 20, traga sua foto, receita, dica, texto, panela queimada, bota no varal e senta ali na toalha xadrez estendida, que vai comida boa, prosa e mais interação!
Corre pro fogão, ou pro caderno, ou pro computador que vai dar tempo!
Não se preocupe com as formigas nos doces. A toalha xadrez é toda trabalhada em antiformigas!

5 comentários:

Tina Bau Couto disse...

Eu tô emperrada na leitura do livro e além do lindo e lúdico desse lugar que nós amamos e tem gente que nem de longe gosta pelo que nós achamos atraente e belo, o lado podrinho, está lá, está em todos os lugares, saber vale para se proteger, para buscar soluções, para valorizar ainda mais as coisas boas, porque o mundo não é uma maçã do amor
Amanhã BC por lá então, muitas toalhas xadrez, potes de mel com rolha e formiga na peça na cozinha, comida no colo, no sofá, no chão, mesa de cozinha, no quintal, mesa enorme em salas de jantar, copas, do lado das lonas de circo, nas fazendas, roças, por ai, aqui, acolá
E ao fim, vamos brindar a interação, vamos agrdecer o pão de cada dia e colocar no nosso cardápio saúde, alegorias e alegria
Inté comadre!

✿ chica disse...

Eu como já falei, gosto de feiras e suas cores, frutas, gritarias das pechinchas, etc... mas esse outro lado, confesso, melhor nem saber mesmo!

Quanto à BC, minha toalha está prontinha pra ser jogada no chão e sentar com vocês! bjs, inté!!

chica

Portugalredecouvertes disse...


A Ana Paula escreve muito bem! tirando o lado fofinho da vida para melhor apreciar o tempo que não deixam permanecer vivinhos no planeta azul, mas não deixando de lado o menos positivo que aparece e gostei do comentário da Tina, que não se deve ignorar o lado mais sombrio da humanidade para melhorar, valorizar os afetos e encontrar soluções para o que é menos bom,
pensando que não somos Deus para julgar, mas podemos ajudar
beijinhos
Angela

Poesia do Bem disse...

Passei o final de semana ocupada, não entrei no blog, só hoje fui lendo aqui e ali, e só vi que a foto postagem da BC comida era ontem, mas agendei a da saudade para dia 4 não é isto? Por aqui a feira é no sábado, uma festa por sinal, se espera por ela para comprar feijão verde, temperos, frutas frecas, mesmo no tempo que os mercados orefecem frutas frescas nos dia da semana. Na feira aqui vende de tudo, roupa, calçado, brinquedo, galinha , bode, cds, é uma confusão gostosa e as pessoas se arrumam toda pra ir á feira. Meu dia de otem nao fi passei a manhã no dentista! No blog tem dica d elivro, vem ver?! Bjs

Beth/Lilás disse...

Querida Ana Paula, ando tão com pressa nestes dias, pois estou enfiada num final de obra e compra de móveis e decoração, por isso não tenho tido tempo para os blogs e ler tanta coisa boa como você escreve, mas não resisti à foto, gosto dessas coisas, feiras, frutas, terra, coisas orgânicas ...
Há tempos não vou a uma feira, embora tenha uma aqui no bairro, mas com a violência grassante, não me arrisco a andar a pé por aí, infelizmente!
Vou aos supermercados e ainda bem que alguns deles, fazem boxes de vendas que remetem a uma feirinha, fico encantada com as do Pão de Açúcar, por exemplo.
Não vou participar da BC, mas se der, passo pra ler as novidades, ok.
super beijinhos cariocas