quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Férias, um descompasso

Ontem, enquanto aguardávamos, eu e as crianças, o transporte escolar, em meio a mochilas e quatro sacolas de material escolar, uma transeunte, passou por nós e disse: "É, graças a Deus que as aulas estão começando".
Não sei se disse para mim, ou para ela mesma, porque enquanto falava não me olhou, continuou andando e olhando para frente.
Cada vez ouco mais comentários desse tipo quando as férias estão se aproximando, estão decorrendo ou acabando!
Fica até parecendo aqueles comentários sobre o tempo - está muito calor, precisava chover, que frio é esse?
Ouvi o porteiro do prédio dizer que as férias eram o terror dos pais...
E então o primeiro dia de aula soa como um alívio, uma premiacão, ou algo como um castigo que findou.
Não é assim.
Talvez muitas vezes, nós pais tenhamos sim deixado escapar uma certa apreensão com as férias. Na verdade, apreensão com o bem estar dos nossos filhos.
Que enorme diferença  as nossas férias! Lembro-me que o último dia de aula era o último dia de novembro. Voltar lá pelos idos de fevereiro, houve vezes em que marco, ou depois do carnaval.
Era uma quantidade imensa de dias em férias, mas havia uma prima que vinha ficar conosco, havia a viagem ao interior, vinte dias, no mínimo.
Havia os que iam para a casa dos avós, uma fazenda ou sítio e só voltavam uma semana antes.
Sempre uma tia disposta, receptiva a ficar com todos aqueles primos e primas e não havia preocupação com  o que fazer, aonde levar.
Assisti muito à série na tv do menino maluquinho com as crianças e tem um episódio onde a mãe o leva para a fazenda do avô, despede-se e diz vir buscá-lo na última semana antes das aulas  e lá tem balanço de pneu, passeio a cavalo, "paixonites"que ficarão para sempre na memória.
E hoje? Quem é que consegue, quem pode ou que é que tem uma vovó como dona Benta num sítio do pica-pau amarelo esperando nossos filhos com muitas histórias e bolinhos de chuva?
Poucos, raros.
Conseguimos conciliar pai, mãe disponíveis do trabalho por períodos curtos. Passeios de no máximo uma semana e é por isso que talvez aparece esse descompasso.
Não é que as férias seriam terríveis. Talvez, por guardamos tão boas lembranças  de dias lassivos, preguiçosos, gostaríamos de proporcionar a mesma sensação deliciosa ao deixar cadernos e livros em " esquecimento" tentamos fazer o melhor dentro do momento que estamos vivendo.

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