quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um devaneio

Pôs na cama os lençóis que havia quarado pela manhã. Ainda exalavam o cheiro de roupa seca ao sol.
Deitou-se e ficou a esperá-lo.
Esperou um tempo que o relógio não sabe medir.
Esperou ecoar na velha madeira de sua porta o som da mão dele a lhe chamar.
Foi o pio da coruja que anunciou a  ausência.
Dormiu e sonhou.
Sonhou um sonho quente, um sonho palpável que seus dedos podiam tocar.
A escuridão se dissipou, as canções nos ninhos dos pássaros penetraram seu sonho.
Mas foi o sol que a chamou; estava pronto para quarar suas roupas.
Levantou trôpega, diferentemente do habitual.
Pediu ao sol que esperasse, pois tinha que tentar, ao menos tentar
Eternizar um momento
Pegou caderno e caneta e com as mãos trêmulas de plenitude, escreveu:

Recosto-me em teu peito e deixo meu corpo inerte
deixo meu coração encher-se com o teu silêncio
Tuas mãos me afagam e meus gestos contritos
apenas querem sentir
Sentir além de teu corpo
o que eu ainda não tinha ousado sentir
Fico assim permeada pelo silêncio da tua boca
aquecida por um toque brando de tuas mãos
singularmente plena.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Músicas

As notas musicais estão bailando pelos blogs queridos!
Comecou lá no samambaia com o Elvis, depois o blog da Clauo nos fez reviver Dirty Dancing e chegou o grito de carnaval com a Mãe da Tonton e muitos risos!
Então também quero trazer aqui a minha música. Mas, antes tem história.
História do meu amigo João.
Nada mais sei sobre ele. Durante um pedacinho pequeno de tempo dividimos a mesma estrada, mas agora não sei mais qual bifurcacão ele tomou. Sei apenas de um fato: como é pessoa bela, tenho certeza que a rua pela qual ele passa agora, é ladrilhada com pedrinhas de brilhante.
Meu amigo tinha uma loja de discos, os antigos LP's, lado A e lado B. E quando eu saltava do ônibus na praca, o som saía alto lá sua loja. Sempre tinha alguma música girando em sua vitrola e o som ecoando pela praca.
Entrei várias vezes levada por um som desconhecido e perguntava o que era, ou melhor quem estava cantado. Ele me trazia a capa grande (agora que é comparada aos nossos CD's), falava dos ritmos, da voz.
Comprei muitas vezes, outras pedia que me copiasse a letra e comecei então a perceber que ao descer do ônibus estava tocando algo do meu gosto, era delicioso.
Um dia porém, desci no silêncio e ele estava sentado no banco da praca me esperando, cabisbaixo. Falou triste: 'fui assaltado de novo' e quando lhe perguntei se levaram muito dinheiro, abriu um leve sorriso ao responder: 'os moleques têm bom gosto, levaram uma caixa fechada do lancamento que chegou esta manhã'. Caímos na risada.
Tempos depois meu amigo se despediu.
Fechara a loja. Não sei se foi a chegada dos cd's, das mega livrarias ou o bom gosto dos moleques que sempre estavam a levar os lancamentos.
Sinto falta daquelas lojas antigas de LP's tocando num volume muito alto.
Vou às mega lojas, livrarias comprar cd's, mas acho difícil ouvir novamente, em alguma praca, uma música que eu gosto.
E quando eu fico triste, sinto a tristeza em mim, acomodo-a pelo tempo necessário ao que ela tem a me dizer e depois é tchau, que eu vou ouvir música!
Especialmente esta que vou colocar aqui me traz alegria. Quando ouco com a Júlia dancamos e pulamos.
É para ouvir bem alto! E fazer Uau!!!


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Amigos

Conheci pessoas aqui dentro dos blogs que adoram passarinhos. Uma, em especial tem o dom de transformar com suas mãos o canto dos pássaros em lindos artesanatos, a Jud.
Para ela e para as pessoas que apreciam canto de passarinhos, para quem está longe de sua terra natal, quem está nas grandes cidades com poucos pássaros, e para quem quer inspiração para escrever posts deliciosos, ouca lindos canto de pássaros é só clicar no mapa do Brasil e escolher de qual bioma você quer ouvir: tem Cerrado, Caatinga, Amazônia, Mata Atlântica e Pampas.
Eu adorei e vocês?

Números e letras

O metrô de  São Paulo é local de números e letras.
São milhões de pessoas transportadas todos os dias, quilômetros de trilhos, bilhões em investimentos, aumento de preco da passagem, intervalo entre trens e gente apressada, gente atrasada, regida pelos números do relógio, números de compromissos.
Também é local de letras: milhões de pessoas com um nome, muitas estações, pessoas que se conhecem, pessoas que lêem livros, letras que formam um bom dia, ou um prazer em conhecê-lo.
Em meio ao bulício da multidão, dia desses, chamou-me a atenção, um homem, não jovem, não velho, que alheio aos números de pessoas, das horas, dos trens que chegavam e partiam; estava com o corpo apoiado num parapeito, cabeça inclinada para cima, uma caneta segura entre seus dedos e ele escrevia em um jornal. Letra cursiva sobrepondo a letra tipográfica.
Eu que estava com os números do relógio me pressionando porque levava o filho a aprender as letras de um outro idioma, fiquei com aquele homem no pensamento.
Por que estava tão absorto? Que letras eram aquelas que o deixou em puro enlevo?
Segui com a multidão, porém determinada a voltar ao mesmo lugar e desvendar o que se passou com aquele anônimo do metrô.




Ele estava bem ali embaixo e copiava um poema




Era Camões.
Camões? Aquele que flertou comigo no segundo grau?
Que vinha insistente tocar meu coração com hora marcada duas ou três vezes na semana, e eu o repudiei todas as vezes?
Aquele Camões que me deu uma última chance no dia do vestibular e veio como o prometido com um ramalhete de lilases e eu novamente o desdenhei?
Sim, era esse mesmo Camões que não conseguiu tocar meu coração, talvez imaturo, talvez inconsequente.
Mas agora estava enamorado daquele homem.
Ele lhe acolheu no seu mais íntimo a ponto de escrever suas estrofes em uma folha de jornal.
Aquele homem acalentou aquelas letras. 
Teria alguém para dividir aquelas estrofes? Teria uma Inês a lhe esperar em alguma estação do metrô?
Nunca saberei. Fiquei um pouco enciumada por saber que o Camões que um dia me cortejou anda por aí na alma de um anônimo.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cheiros

O prédio no qual moramos passa por pintura desde janeiro. Poucos incômodos desde então, se é que podem ser assim chamados. Ficar com a janela de um dos quartos fechado por um dia, não usar elevador social no outro, coisas que na realidade, não incomodam.
Mas houve sim em incômodo daqueles que eu diria, intenso.
O cheiro da tinta com a qual pintaram os corredores internos. Cheiro nauseante que conseguiu, em mim, trazer irritação.
Questionei o pintor que me deu as especificações químicas da tal tinta e tudo que pude gravar era que havia solvente em sua composição, motivo de olfato mais sensível se exaltar. O dele, plenamente acostumado, nada sentia, mas avisou: vai perdurar por alguns dias, porque depois das paredes, tem corrimão, porta de elevador e para mim já estava o suficiente, porque entendi que demoraria a passar.
Dias melhores, outros nem tanto, mas hoje eu espero ter sido o ápice. Eu sentia a tinta no meu esôfago, literalmente e não podia sair porque a porta de serviço tinha que permanecer aberta.
A irritação só fazia crescer em mim, quando resolvi tentar modificar a situação trazendo à lembrança os cheiros que já vivi.
Troquei a irritação por uma sensação prazeroza, carregada de emoções.
Fui direto para a infância, senti o cheiro do fumo de corda do meu avô, da casa faxinada por minha mãe toda sexta-feira, quando a enceradeira dava o brilho no chão de vermelhão. Havia também o cheiro da caixa que meu pai guardava a sua sanfona e nas poucas vezes que a tirava de lá, a música trazia alegria ao nosso pequeno quintal.
Acho que encontrei uma resposta em meio aos cheiros, do porquê nunca aprendi a matemática dos últimos anos escolares: era a última aula do período, começava às 12h 15. Todo o colégio já havia saído, ficava apenas a nossa sala, o professor de matemática, estômago ávido por comida e a faxineira passando removedor por tudo.
O cheiro do removedor não me deixou entender os números e nunca consegui usá-lo nas limpezas caseiras.
Senti o cheiro do apartamento da minha sempre amiga, um cheirinho oriental, acolhedor.
Teve o cheiros dos bebês, suaves e delicados como eles.
O cheiro de um romance que li: "A senhora das especiarias". Uma mulher indiana num pequeno vilarejo se dividia entre a máquina de costura e o empório de especiarias. Muitas especiarias que ela conhecia através do cheiro de cada uma, sua utilidade, seu sabor.
O cheiro de uma história que ouvi no rádio: briga de condomínio; casal estrangeiro, de terras exóticas que insistia em cozinhar às três da madrugada com ingredientes que meu olfato só ousa imaginar.
Teve também os cheiros da farmácia que minha mãe me levava a cada crise de garganta. Era um cheiro de injeção. Daquelas que no dia seguinte eu levava uma almofada para sentar-me no banco de madeira do colégio.
Ah! As farmácias perderam o cheiro de injeção para os tantos cosméticos que lhe enchem as prateleiras.
Cheiro de chuva, que aqui na cidade poluída, eu acho que é mais cheiro de poeira levantada pelo vento, mas continuo acreditando que é um cheiro bom de chuva que vem refrescar .
E nesses momentos em que diluía a minha irritação, pude sentir o cheiro das roupas de minha mãe no seu guarda-roupa quando seu corpo nunca mais as usaria.
Eu ficava ali com as portas abertas e acho que eu era somente olfato, toda olfato. Sentia o cheiro dela, todo o carinho, cada toque que eu já tinha recebido e como foi difícil deixar aquele cheiro se esvair.
Depois de toda essa invasão de notas olfativas, a irritação se foi. Ficou uma tranquilidade, misturada com alegria, com lembranças que vivi.
Acho que até aprimorei meu sentido do olfato...parece que posso sentir o cheiro da tua energia.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Falar de morte

Foram muitas vezes que já pensei em escrever sobre este assunto, mas não se desenvolvia de maneira espontânea. Deixei amadurecer um pouco mais.
Minhas crianças nasceram com o tema "morte"muito próximas a elas porque cedo entenderam a inexistência de avós maternos e com este entendimento as inevitáveis perguntas.
Dia desses, num restaurante bem familiar, porque além de conhecermos os donos, conhecemos também seus adoráveis gatos, deixei as crianças à mesa enquanto fui pagar a conta e demorou um pouquinho, quando fui abordada por uma simpática senhora que me perguntou se eram meus filhos e ao ter a confirmação foi me dizendo: "Mas como é que eles conversam de morte assim como se estivessem falando de brinquedos?"Levaria mais tempo do que eu dispunha para explicar-lhe o porque disto!
Quando ainda sem filhos, participei em um hospital de um ciclo de palestras que era, digamos, obrigatório para quem fosse prestar trabalho voluntário ali. Foram todas excelentes e uma em particular me marcou. Lamento não ter anotado o nome da pessoa, talvez hoje encontrasse algum livro, blog quem sabe...
Era uma professora da PUC-SP que falou sobre a morte sem adentrar nas crenças. Trouxe uma abordagem de como o assunto era visto em algumas regiões do mundo e principalmente em algumas regiões do nosso Brasil. E a maioria, moradores  de grandes  metrópoles, teve mesmo uma reação de surpresa.
Ela nos dizia que o assunto era tabu nas grandes capitais. A morte estava tão terceirizada, tão distante que sua própria compreensão era dificultada por todo este aparato.
Contou-nos que em muitos lugares o funeral é feito na casa das pessoas, traz-se a mesa da cozinha para a sala e ali fica o caixão, as crianças ao redor, entram e saem e claro brincam com as outras que também chegam. Contou-nos também do estigma sofrido pelos coveiros, geralmente não conseguem relacionamentos afetivos, porque são vistos como pessoas de mal agouro. E tantas outras coisas que ela nos contou naquela noite e que ficaram marcadas em mim.
Conversei desde cedo com as crianças, ensino-as a respeitar as crenças das outras pessoas, estimulando seus pensamentos a respeito do tema, seus sentimentos. E esse é o motivo porque conversam tão naturalmente. Porque é assim aqui em casa, é um sentimento que tem dor sim, mas eu sinto que é necessário ser conversado.
Hoje o que me fez escrever escrever foi o post de uma querida amiga virtual, a Lua Dandara, onde ela descreve com a suavidade de uma flor um funeral sueco. É uma delicada emoção que vale a pena sentir.
Lua, querida aprendi mais um pouquinho com você. Obrigada.
Conversarei mais tarde com as criancas sobre este tipo de funeral lá na Suécia. Vou esperar por comentários deles. Depois conto.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um violão

Será preciso juntar três pecas principais, como num quebra-cabecas para se entender essa história.
As pecas: - assistimos a noticiários juntos;
- Bernardo ama suas aulas de Filosofia e seu professor;
- um violão.
Encaixando uma a uma:

Intencionalmente sempre assistimos a noticiários juntos e isso desde pequenos, porque acho que é uma das maneiras de interagir, de conhecer um mundo real.
Não há uma frequencia, nem tão puco é obrigatório. Diria que há fases que assistimos outras não. E aí nessas fases se inclui desde os sensacionalistas, que eu considero que mostram a realidade que eu quero que vejam, que há atropelamentos, enfim, uma parte feia do mundo e também há os mais leves e mais culturais.
Final do ano passado, naquele período triste de tomada pela polícia em algumas comunidades no Rio de Janeiro, com cenas muito próximas à guerra, meu filho fez uma pergunta que não era fácil de responder com um sim ou um não.
- Todas as pessoas dessas comunidades são más?
Enquanto discorria a minha explicação, fazendo-o ver que não era assim, que a maioria eram trabalhadores, crianças que queriam ir para a escola, criancas que não tinham um quintal par brincar ou lugares para lazer, entrou uma matéria de uma ong que ensinava música clássica às crianças daquela comunidade.
A paisagem unida à música nos sensibilizou. No alto do morro, com uma fotografia bela do Rio ao fundo e o som dos violinos, mostrou quantas pessoas boas estão ali.

Desde o ano passado, quando comecou a ter aulas de Filosofia na escola, se apaixonou pela matéria e pelo professor, chamado carinhosamente de tio de filosofia.
Abriu-se um outro horizonte para ele.

Ainda bem no finalzinho do ano letivo de 2010, ele chega em casa e pede para conversarmos porque queria fazer um pedido:
- Mãe você pode comprar um violão para mim?
Estranhíssimo pedido. Bernardo nunca mostrou qualquer vontade, mínima que fosse de tocar violão.
Tantas coisas passaram rapidamente pela mente de uma mãe pega de surpresa. Da onde esta súbida vontade? Fogo de palha com certeza...
Veio a explicação:
Lembrou da reportagem das crianças da comunidade que através da música tinham uma vida melhor e tinham esperança. Citou um garoto que disse que nunca entraria para o crime porque queria ser um grande concertista.
Explicou que o "tio de filosofia"fazia um trabalho com crianças em recuperação na  Fundacão Casa e ele pediu que quem tivesse um violão para doar... que um menino saiu do crime por causa da música.

-Mãe você pode comprar um violão para mim?
Não foi como pedir uma cartolina para levar no dia seguinte à escola.
Ele queria propiciar um oportunidade de uma vida diferente, melhor, longe daquele lado ruim que ele tanto viu nos noticiários sensacionalistas.

Ele levou o violão no dia da sua aula de Filosofia. Ele não sabe tocar e talvez nunca aprenda, mas sabe que aquele instrumento barato, de iniciante, pode fazer a diferença em uma vida, por uma vida inteira.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Desfralde

Tenho estado num clima de desfralde. Não encontro outra palavra para expressar o que tem se passado.
O desfralde literal, este que muitas mamis estão descrevendo com sucessos, glórias, fracassos, interrupções, este mesmo eu quase nem percebi.
Ocorreram respectivamente com 1 ano e 8meses e 1 e 7meses. E, pasmem...não fui eu quem tirou as fraldas dos pequenos, foram eles próprios!  Bernardo um dia falou - tira, esquenta muito. Tirei, não tinha cuequinhas em casa, deixei-o de bermuda, corri para comprar um redutor de assento e algumas cuecas e o saldo foi apenas um xixi na roupa. Tirou fralda da manhã e noite no mesmo dia.
Sobram em estoque vários pacotes que ficaram de herança para a irmã que ia nascer, que também foi simples assim - não quero por fralda, dói. Pronto, apenas um xixi a noite, nada mais.
Sobraram muitos pacotes no estoque. O que estava aberto, brincadeira com bonecas e os outros, doação.
Claro que foi simples assim porque eu sempre confiei que haveria uma compensação para mães com filhos que dormiam só três horas por noite, e porque meus filhos não aceitaram papinhas. Leite materno livre demanda até quase dois anos. Eu merecia um desfralde assim, sereno, sereníssimo.
Mas quando estamos em "desfralde" temos uma ansiedade a cada vinte minutos. Quer ir? Não está segurando?
E agora tem ocorrido isto aqui em casa com a Júlia. Não com suas eliminações, mas com os seus poemas!!!
Já aconteceu várias vezes de eu estar atarefada e ela vem assim: "Mãe tenho um poema". Corro, pego papel e caneta e vamos lá.
Uma amiga querida lembrou-me da tecnologia - pegue o celular para gravar. Ótima ideia, lamento apenas porque a pequena não quer celular. Tem que ser às antigas mesmo.
Ontem, ela veio correndo:
- Mãe tenho um poema.
- Espera um pouco Ju, que eu estou ocupada agora.
- Não dá, não dá, tá saindo...
É ou não é um desfralde de palavras?!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Poemista

Não era minha intenção postar mais nada por hoje, mas diante de mais um delicioso poema da Júlia, não posso deixar esse momento para depois.

O que você quer ser quando crescer?


Quando vinha o final da tarde
eu ficava pensando em poemas.
Não é todo mundo que gosta.
É que eu faco o que eu sinto
porque meu coração me leva até isso.


Quando algumas meninas ou meninos crescem
querem ser ou médico ou dentista ou poemista.
Mas cada um tem seu jeito.
Escolhe o que vai ser quando crescer.


Quando eu era pequena eu também tinha vontade de criar poemas.
Mas cada um tem seu tempo
que o coração sente o que sua alma deseja.


                                         Júlia(5anos)


  

Internet segura


 Hoje é o dia da internet segura e há vários sites divulgado informações sobre o assunto.
Acho também muito interessante essa troca aqui na blogosfera, que na verdade já está acontecendo. Quando uma amiga nossa passa por um desconforto e trocamos sugestão estamos ajudando neste quesito segurança.
Outro site que traz links que abordam o tema é o Papo de Mãe.
Vamos continuar blogando com consciência e sem medo!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mudancas

Minha filha Júlia mudou-se para seu próprio blog! Como eu tinha feito este consultando as opiniões da pequena, resolvi também mudar a carinha deste daqui
A Júlia me disse que gostou muito do meu blog mas ela queria se expressar. Então ela foi se expressar lá no Palavras da Jico. Ah! Vai adorar receber visitas...
Dou uma ajuda com fotos e títulos e as postagens menores fica por conta dela.
Nem é preciso falar que mesmo que tenha se mudado continuará a ser assunto aqui no meu coração e pelo lado de fora, que é pra todo mundo ver. Beijos

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Inclusão

A blogagem sobre o tema inclusão foi proposta pela Pandora e Aleska. Textos ótimos apareceram por lá. Vale conferir! Beijos

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Blogagem coletiva - espinhos

De última hora fiquei sabendo da blogagem coletiva sobre inclusão/deficientes físicos e corri para postar a tempo.
Há exatos 28 anos fui convidada a visitar uma menina. Eu era uma adolescente e o convite foi feito desta maneira: "ela se chama Sandra, é linda mas aleijada.
Pausa.
Há de se comemorar quando se fala de inclusão as mudanças que ocorreram para as definições. Só as palavras que eram usadas tinham o peso de uma rocha sobre ombros esmorecidos. O uso adequado das palavras é relevante, representa dignidade.
Sandra era linda.  Pele alva de quem quase nunca sentia o sol. Olhos verdes que sorriam como o lindo sorriso dos seus lábios. Voz de sereia, porque imaginamos que a voz mais linda do mundo seja das sereias ou talvez dos anjos.
E a beleza acabava aí. O resto de seu corpo fora apoderado pela poliomielite.
Sim, aquela doença mesmo que hoje nem nos lembramos que já existiu por aqui e infelizmente ainda assombra em alguns países.
Um dia, com sua voz melodiosa ela me disse que se lembrava de quando andava, e depois se lembrava do hospital...
Mudei de cidade, nunca mais soube de Sandra e tenho na memória seu caderno de desenho que um dia me mostrou. Ela desenhava com os pés. Todos os seus desenhos eram de noivas. Casamentos e lindos vestidos de noivas.
Desejo para esta portadora  de deficiência física que a vida não tenha mais espinhos do que já tem.
Então imagino se ela vivesse aqui em São Paulo e fosse andar pelas calcadas planas de alguns bairros em sua cadeira de rodas e se  deparasse com mais espinhos.


Muitas vezes não é tão simples desviar.




Espinhos que não poderiam estar no caminho. Que são mal cortados.
E as vezes o caminho é simplesmente impossível para se passar.



A vida já é tão cheia de barreiras para os deficientes. Por que ainda tem que haver tantos espinhos no caminho?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Raiva sim

Esta semana, com o início das aulas, pude dedicar mais tempo a ler diversos blogs,  e um post, em especial chamou-me a atenção. Foi no blog da Roberta Lippi num post entitulado "felicidade aos 6 meses e aos 3 anos".
A sinceridade ao revelarem seus sentimentos, que envolvem o duo mãe/filhos me fez quase comentar lá no blog "vai passar". Seria sem valor escrever isto. Todos que se envolveram ali sabem que vai passar.
Então quero trazer momentos vividos para o lado de fora do meu coração.
Meu primeiro bebê foi regado a shantala e música suave, passando por banhos com óleo de lavanda e também cheirinho de camomila para acalmar ( o segundo, menos, mas também teve!). E tudo isso tendo como pano de fundo aquelas imagens lindas de revistas de gestantes no jardim sentadas em confortáveis cadeiras, mesa de café da manhã exuberante e o rebento ao seio com os suaves raios do sol a acariciar-lhe os delicados fiozinhos de cabelo.
Eu não falava alto, não o repreendia com um tapinha nas mãos e não gostava que brincassem com ele dando aquelas mordinhas nas coxas gordas ou nas bochechas. Tinha formado minha teoria de que se ele não tivesse contato com essas manifestações, digamos, um tanto exaltadas, quase agressivas jamais teria tal comportamento.
E tudo ia bem até que lá pelos seus 1 ano de vida agarrou nos cabelos de um outro bebê sem motivo qualquer - não havia disputa de brinquedo, nada. Agarrou e ao soltar tinha entre os dedinhos vários fios dolorosamente arrancados.
Muita conversa, explicações e continuou acontecendo por um bom e longo tempo.
Vergonha, saia-justa, mãe que não dá limite ao filho, senti e também ouvi tudo isso.
Passei a estar com ele em lugares públicos quando não havia mais ninguém e deu certo...
Soou a campainha em casa e quando eu abri a porta ouvi em estrondoso berro da garotinha de mesma idade. Agora ele tinha um chumaço de cabelo em suas mãos.
Nesse dia eu chorei muito na frente dele, gritei e quando meu bebê dormiu e eu entre lágrimas olhava para aquele rostinho tão lindo, tão angelical que tantas vezes eu fotografara exatamente naquela posição com os olhinhos fechados, boquinha entreaberta, gritei ao seu lado com a voz sufocada no travesseiro "eu estou sentindo raiva de você, muita raiva, como pode fazer isto?"
E toda a música suave, o cheiro da lavanda, o meu cuidado em não ter nenhum gesto hostil para que tomasse como exemplo?
Senti-me como aquelas árvores que são só tronco e ganhos, parecendo sem vida. Não havia mais paciência, havia raiva e desilusão.
Mas como falar disso? Não combina com a maternidade vestida em sedas esvoaçantes.
Uma ajuda profissional me disse que não me preocupasse, que meu filho não seria um delinquente por estar tendo aquele tipo de comportamento com um ano de vida.
Segui firme e hoje nem me lembro quando acabou, como findou aquele tormento.
Quem hoje conhece o menino que tantos fiozinhos arrancou, acha que não é a mesma pessoa.
Esta criança adorável não faria coisas assim.
Volto então a ouvir música suave, a massageá-los com cheirinhos de bebê e agora sei que tudo isso surtiu o efeito desejado, porque todo o resto passou.
Na memória trago também a lembrança de uma história da tradição oral chinesa:

Ao herdar o trono um jovem príncipe é homenageado por vizitantes nobres dos mais suntuosos reinos distantes.
Presentes valiosos são depositados aos seus pés, riquezas e mais riquezas.
Um nobre deposita aos seus pés um pequena caixa mas diz como o jovem terá que usar aquele presente.
-Vossa majestade deve saber que nesta pequena caixa há um presente de inestimável valor. Porém só poderá ser usado uma única vez quando houver muita dificuldade. Reflita bastante se realmente precisará abrí-la porque esta caixinha lhe ajudará uma única vez.
Anos se passaram, veio a primeira adversidade, a vontade de resolver tudo com o misterioso presente, mas achou melhor não abrir.
Outras dificuldades surgiram e foram solucionadas sem a caixinha.
Já em idade avançada, com seu reino imerso em tão desfavorável situação, resolveu que seria a hora de usar o valioso presente.
Havia um pequeno pedaço de papel escrito - Tudo passa. Não passou das outras vezes?  

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Férias, um descompasso

Ontem, enquanto aguardávamos, eu e as crianças, o transporte escolar, em meio a mochilas e quatro sacolas de material escolar, uma transeunte, passou por nós e disse: "É, graças a Deus que as aulas estão começando".
Não sei se disse para mim, ou para ela mesma, porque enquanto falava não me olhou, continuou andando e olhando para frente.
Cada vez ouco mais comentários desse tipo quando as férias estão se aproximando, estão decorrendo ou acabando!
Fica até parecendo aqueles comentários sobre o tempo - está muito calor, precisava chover, que frio é esse?
Ouvi o porteiro do prédio dizer que as férias eram o terror dos pais...
E então o primeiro dia de aula soa como um alívio, uma premiacão, ou algo como um castigo que findou.
Não é assim.
Talvez muitas vezes, nós pais tenhamos sim deixado escapar uma certa apreensão com as férias. Na verdade, apreensão com o bem estar dos nossos filhos.
Que enorme diferença  as nossas férias! Lembro-me que o último dia de aula era o último dia de novembro. Voltar lá pelos idos de fevereiro, houve vezes em que marco, ou depois do carnaval.
Era uma quantidade imensa de dias em férias, mas havia uma prima que vinha ficar conosco, havia a viagem ao interior, vinte dias, no mínimo.
Havia os que iam para a casa dos avós, uma fazenda ou sítio e só voltavam uma semana antes.
Sempre uma tia disposta, receptiva a ficar com todos aqueles primos e primas e não havia preocupação com  o que fazer, aonde levar.
Assisti muito à série na tv do menino maluquinho com as crianças e tem um episódio onde a mãe o leva para a fazenda do avô, despede-se e diz vir buscá-lo na última semana antes das aulas  e lá tem balanço de pneu, passeio a cavalo, "paixonites"que ficarão para sempre na memória.
E hoje? Quem é que consegue, quem pode ou que é que tem uma vovó como dona Benta num sítio do pica-pau amarelo esperando nossos filhos com muitas histórias e bolinhos de chuva?
Poucos, raros.
Conseguimos conciliar pai, mãe disponíveis do trabalho por períodos curtos. Passeios de no máximo uma semana e é por isso que talvez aparece esse descompasso.
Não é que as férias seriam terríveis. Talvez, por guardamos tão boas lembranças  de dias lassivos, preguiçosos, gostaríamos de proporcionar a mesma sensação deliciosa ao deixar cadernos e livros em " esquecimento" tentamos fazer o melhor dentro do momento que estamos vivendo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Aulas

Hoje iniciaram-se as aulas das minhas crianças. A euforia começou na noite anterior com a Júlia, porque é uma nova escola para ela.
Chegaram contando as novidades, animados. Ótimo que seja assim!!!
Deste primeiro dia, além da motivação das crianças, fiquei feliz e satisfeita com o bilhete que a profa. do Bernardo enviou.
Li um excelente post da Maristela onde ela descreve um modelo muito bom que deveria, poderia e deve acontecer entre a família e a escola. Muitas vezes me queixei de atitudes da escola, mas eu não fiz nada para contribuir para que não acontecesse ou que melhorasse.
Vou transcrever o texto que nos trouxe uma abertura, uma reciprocidade, um convite para que a educação de nossos filhos seja compartilhada e não simplesmente delegada.


Estamos começando um novo ano, uma nova etapa: grandes conquistas e realizações, onde a parceria, confiança e o trabalho conjunto, aparecem como aliados. Sintam-se a vontade para manifestar eventuais dúvidas, críticas ou sugestões. Vamos manter o diálogo e o bom relacionamento.


Voltar às aulas significa mais disciplina, cumprimento dos horários, tarefas de casa e uma infinidade de compromissos que exigem esforço, tanto dos alunos quanto dos pais. Mas, embora a disciplina seja importante, não podemos esquecer que, com os alunos, estão de volta os seus sonhos. E a grande maioria sonha com as descobertas, diferentes experimentos, fazer novas amizades.


Fazer o melhor (aluno, família, escola, professor) significa esforçar-se para deixar marcas de alegria e de otimismo, sempre com o espírito de solidariedade, responsabilidade e compreensão.


Nos próximos dias estarei informando sobre atividades complementares do 5 ano (projetos/ desenvolvimento e elaboração de   trabalhos/dicas de leitura).


Acredito que durante nosso caminho, conquistaremos diferentes e significativas formas de crescimento: Sejam todos bem-vindos


                      Boas aulas e um grande abraço 


                                    Prof. Marla
                                      (01/02/2011)


Parabéns, muita energia, disposição e criatividade à professora Marla e aos educadores de nosso país que acreditam que a educação é o bem maior de um indivíduo e de uma Nação.