terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Poema e lembrança


Diário do amanhecer

Não me deixou dormir
aqueles minutinhos
acrescentados às pálpebras
sombreadas de férias

Escandalosamente forçou a porta
para adentrar
o aroma do café do vizinho
cedinho cedinho

Rodeou a varanda
e seduziu a janela
que assanhada
abriu-lhe as frestas
e ele me acordou
neste dia de inverno
no solstício de verão

Trouxe consigo
o barulhinho da água borbulhante
e o mexe e remexe da colherinha
dançando com o açúcar

Como resistir ser assim despertada?
Despertei e fui brincar de cotidiano

Ana Paula


Lembranças


- Pega aquela faca grande ali na gaveta.
Com muita habilidade minha mãe cascava o lápis de cor, depois pegava a caneta bic e escrevia na madeira o meu nome.
- Tem que abreviar, não cabe. Fica assim: A.Paula.
Com sua letra de forma arredondada, ia colocando meu nome um a um em cada lápis.
Época que não havia etiquetas pequenas.
- Pega a vassoura pra mãe varrer e vai arrumar os lápis no estojo.
Estojo retangular de madeira. Na primeira semana de aula, ao deslizar a tampa avermelhada desprendia-se um cheiro de início, de novo.
O chão da nossa casa era vermelho como a tampa do estojo.
Era um luxo.

18 comentários:

Tina Bau Couto disse...

Do poeminha, além do bom gosto e doçura, uma sintonia que encanta, aproxima, ensina...
Ontem marido perguntou quando chegou do trabalho:
Brincou muito de casinha hoje? Panelinhas, cafezinho, vassoura, ferrinho..
Eu disse que sim, até enjoar...rsrs
E ele disse que também brincou muito de carrinho o dia todo.
*Trabalha numa Concessionária de veículos

Da narrativa dos lápis personalizados, mais encantamento.
Meu pai fazia a ponta com a faquinha de cortar temperos da cozinha, com um canivete ou estilete (ele chama de faca ofa) e sempre dizia: Só eu posso fazer assim, vc´s só podem quando forem grandes!
Os lápis levavam o nome escritos miudinhos em um papel e eram colados com durex.
Nas canetas o papelzinho ia por dentro.

Lindos eram aqueles estojos de madeira!

Obrigada pelas doces lembranças de minha infância :)

Lacorrilha disse...

Adorei o poema e a lembrança. Lindo!

Flávia Brito disse...

lindo o poema, como sempre. Adoro a sensaçãozinha de acordar de manhã com o cheirinho de café. A muito tempo não tenho este prazer. quanto aos lápis adorava forrar os livros e cadernos da escola junto com minha mãe. Faço assim com minha filha. Beijos!!!

✿ chica disse...

Que linda e doce página.Lembranças misturadas com o dia a dia...beijos praianos,chica

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi Ana!!!

Que saudades do seu blog! Que saudades dos textos tão lindos!

Amei o poema!

Olha, tem sorteio lá no blog, passa por lá e participa.

Beijos

Selma

Poesia do Bem disse...

Doce lembrança. Também lembro o cheiro do estojo.

Moro em um Kinder Ovo disse...

O seu amanhecer foi lindo. As lembranças da infância tem cheiro de saudade. E quem vem aqui leva um sorriso na face pois percebe que o tempo voltou.

Kellen Bittencourt disse...

Oii Ana, que saudades estava daki, e vc como sempre arrasando nas palavras e nos fazendo recordar tbém de momentos muito especiais, lembro desse estojo de madeira que mencionou, eu tbém tive um, hj acho que nem existem mais! Qto ao cheirinho do café nem fala, difícil resistir mesmo! Adorei! Bjooooss

disse...

Lindo o poema. E o estojo também, tenho certeza. Dia desses procurei por um, mas é claro que se existem estão bem guardados na memória dos sortudos. Beijo.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, é "antiético", mas nós três somos amigos - muito legal a tirada do marido da amiga Tina. De fato brincamos o dia todo e ficamos metidos a sérios e mal humorados. Para que???!!!

Acordar assim é muito bom. Se a gente percebesse essas doçuras na vida da gente... Imagina que delícia brincar de cotidiano! (Ana você é genial!).

E não é que são saudosas essas ocorrências? Fazia tempo que eu não ouvia dizer que alguém cascou o lápis, a laranja, ... Os detalhes do cheirinho de novo do estojo. O chão vermelho, gostoso de pisar descalço...
Muito bom isso tudo.
Beijo
Manoel

Marcilane Santos disse...

Que legal Ana, você falou de coisas tão simples da vida de uma forma tão doce, tão boa de ler! Com o passar do tempo vamos esquecendo dessas coisinhas e como é bom tê-la por aqui para não nos deixar esquecer!
Minha mãe também raspava os lápis de madeira, agora em se tratando do meu nome, o coitado do lápis era bastante cosumido, imagina: MARCILANE, acho que só cabia o primeiro nome mesmo! rrs
Cheirinho de café é super gostoso, amo!!
Quando criança amava brincar no chão da casa da minha avó, que não era vermelho e sim verde, daquele piso bem lisinho sabe? Eu fazia barcos de papel e fingia que o chão era o oceano. (:
Bons tempos!

Beijos e que mais recordações saiam dessa maravilhosa caixola! ;)

Lorena Viana, disse...

Olá Ana querida, que linda lembrança... me fez recorda a minha época de colegial, era bem parecido e meu nome ficava Lorena V. Você me fez recordar uma linda época da minha vida, na qual esperava ansiosa para voltar as aulas. Agora sou eu arrumando as coisinhas da minha pequena!

Saudade enorme daqui, de suas palavras tão serena e que toca profundamente o coração! Estive ausente, em repouso, mas já estou retornando para a blogosfera.

Beijo carinhoso!
Uma quarta-feira de muita paz...
Lorena Viana

Tina Bau Couto disse...

Vim ler os comentários alheios, histórias, sentir os cheiros, sentidos, sentimentos para começar meu dia. Adorei!
Quer café com bolo de carimã?

VERINHA T disse...

Olá bom dia!!!
Passei para te trazer meu carinho e te avisar que tem um mimo para você lá no meu blog. Amei seu post, lembranças de infancia, onde tudo era simples e divertido.
Tenha um belo dia. Beijinhos

Ivani disse...

Sim, eu me lembro até hoje do estojo de madeira que levava na escola.
E olha que sou de uma geração anterior à sua!
E minha mãe também dava uma lascadinha no lápis para colocar meu nome.
Mãe é mesmo sempre igual kkkk
beijo

Graziela disse...

Ana Paula adorei o poema, me fez recordar um tempo bom, de crianca, com material novo, inicio das aulas.
Ah o chao da casa da minha mae tambem era vermelho, ajuda-la a encera-los com a cera de lata e depois passar a enceradeira era tao legal! (ta' que a enceradeira so' veio depois de muito tempo antes era de joelho no chao com uma flanela mesmo).
Abracos
Gra'

Carolina Lima disse...

Quando menina tínhamos o hábito de viajar muito para Caldas Novas, uma cidade turística daqui de Goiás. E como todas as cidades turísticas, em Caldas também há aquelas inúmeras lojinhas de coisinhas.
Numa dessas viagens ganhei um estojo lindo. De tecido, com estampa de corações coloridos e o zíper azul royal. Quando aberto ele se transformava em uma verdadeira maletinha: com lápis de todas as cores, régua, borracha e giz.
Estava deslumbrada e minha mãe também. Em conversas entre mãe e filha soube, entre lágrimas, que durante a infância caixinha de linhas eram usadas como estojo. Nunca esqueci do meu estojo de estampa de coração, nunca esqueci do estojo de caixa de linha.

pensandoemfamilia disse...

Doce poema de um cotidiano repleto de saudades. As imagens colocadas nas palavras são lindas.
bjs