domingo, 11 de novembro de 2012

A avó


Trinta anos se passaram da morte da minha mãe.
Os primeiros tempos foram de muitas dores. Dores desesperadas, angustiantes, desesperançosas.
Foram tempos de memórias vivas e intensas que aos poucos foram deixando de ser águas turbulentas para se tornarem águas cada vez mais calmas.
Hoje preciso fazer um esforço para encontrar uma lembrança, uma memória. Estão lá, sempre estiveram e sempre estarão, apenas uma bruma envolve tudo. Não dói, não me faz querer reescrever tudo de forma diferente a ter o final feliz esperado como já desejei no passado. É tranquilamente assim.
Um fato porém tem remexido estas brumas: uma pequena menininha que tem se encontrado com a tristeza porque desejava com intensidade ter conhecido aquela que foi minha mãe e seria sua avó.
Essa menininha adentra de mãos dadas comigo o mundo das recordações.
Vejo nela as lágrimas que há trinta anos me percorreram.
Ofereço braços, colo, algumas palavras, por vezes silêncio.














































21 comentários:

Tina Bau Couto disse...

Emocionante, triste e lindo ao mesmo tempo.

Diz que ela está em vc, está nela, está nas fotos, em objetos que talvez vc tenha.
Amamos a Deus sem o conhecermos pessoalmente, como amamos os nossos avós, os avós de nossos avós, através de tê-los e também através da histórias que ouvimos e da significância deles na nossa existência.

Nem sempre os que estão perto, como diz um poema, fazem melhor companhia, até com o sol encoberto tds sabem quando é dia.

Saber que ela existiu, que vc está aqui graças a ela, é para sorrir, mandar beijos aos céus, crer que uma das mtas estrelas é ela.

Será que ela aceira como carta da vó essa do pequeno príncipe que peguei de empréstimo?
Eu enfeito, selo e ponho na caixa do correio, que nunca usei, que nem sabia como usar e que a mamãe Ana Paula me fez olhar agora com outros olhos, como as Moleskines nas estantes das papelarias.

Para Júlia em São Paulo
De sua avó materna no céu

"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes...
Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem
E tu terás estrelas que sabem sorrir!."
Assim, tu te sentirás contente, mesmo sem teres me conhecido.
Tú és minha neta e sou a mãe de sua mãe e isso tem de lhe fazer feliz. "Basta olhar para o céu e estarei lá. Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto...
E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu."
E você dirá:
As estrelas me fazem rir!"

Patricia disse...

Ai que dó!
Minhas lágrimas estão teimando em cair aqui.
Essa é uma dor que todos nós sentimos um dia na vida, né?
A Belinha tb chora de vez em quando porque queria conhecer o meu pai, que faleceu quando eu tinha 9 anos.
Bjs

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi flor!

Imagino a saudade...
Entendendo. Procure mostrar pra as coisas boas da sua mãe e que boas lembranças são importantes para nosso crescimento e caminhada.

Beijos

Selma

REINVENTANDO disse...

Sem comentários..muito emocionante e sem palavras para falar nesse momento! Abraços. Sandra

✿ chica disse...

Emocionante,Ana Paula! São momentos que eles só poderão ouvir falar...Pena, mas a vida ´assim ,tantas vezes... Tocante ver!! beijos,linda semana,chica

.maysa. disse...

Own diga a pequenina que Deus promete que um dia todos iremos nos reencontrar novamente para viver em um paraiso aqui na terra. Pode acreditar que isso é verdade.
Não vim aqui ditar minhas crenças, mais isso foi uma promessa do altissimo senhor, então tenha fé. ;)

Beeeeijos para você e para sua pequenina.

Kellen Bittencourt disse...

Oii Ana, gostei como descreveu o que sente hj em relação a ausência da sua mãe, é engraçado como as lembranças vão ficando envoltas em uma névoa, a minha se foi apenas 7 anos e eu já faço força p buscar as lembranças, que pena, não queria que fosse assim, imagino a sua filhota como se sente, como é bom ter uma avó p nos mimar, faz falta mesmo! Bjoooosss e ótima semana!

Li disse...

Sem palavras...

Graziela disse...

Ana Paula receba meu abraco, de um abraco apertado e demorado na sua filha. E desculpa mas nao consigo comentar esse post hoje... a saudade do meu pai nao me permite...
Abracos querida e obrigada pelo carinho de sempre, comigo la' no blog.
gra'

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, que fofinha a Júlia. Diante disso eu ficaria meio sem ter o que dizer.
Lí todos os comentários e gostei muito, mas o comentário da Tina me deu coragem para dizer que eu faria o mesmo que ela. Acho legal porque ela transborda carinho para com a Júlia. Deus a abençoe muito.
Beijo
Manoel

REINVENTANDO disse...

Passando para te desejar uma boa terça e ainda emocionada com esse texto. Abraços. Sandra

Compartilhando Sentidos disse...

Oi Ana, tudo bem?

Belo texto. Belas fotos. Muita emoção. Saudade...



Bjo e eutimia.

Ivani disse...

Ana querida, estou aqui me desmanchando, em lágrimas, com saudades, pena da Julia, sentindo sua angustia.
Li todos os comentarios e como o Manoel eu fico com a ajuda da Tina.
Creio que a melhor forma de ajudar a Julia é misturar poesia, sonhos, verdades e algumas mentirinhas (das boas) para que ela possa rir ao invé s de chorar.
Linda garota, não gosto de ve-la assim.
Beijos para as duas, gostaria de poder ajudar mais, mas eu também preciso de ajuda nesse assunto.

Mariacininha disse...

Ai sei que não sou uma substituta a altura, mas gostaria tanto de ter uma neta. Só tenho neto. Fala para ela se ela quer uma avó virtual, seria um prazer.Eu amei muito a minha avó até hoje sinto sua falta, sei como é importante a presença de uma avó na vida de uma menininha. Beijinhos.

lis disse...

Lindinha a sua menininha AnaPaula e o choro é prova da sensibilidade, do amor já presente ,
e linda mulher que ela será!
perdi minha mãe tão cedo ,mais ou menos na idade dela, daí nao conheci nem uma das avós _ sou carente do carinho materno_sempre peço colo aos amigos rs
Gostei da emoção que passas ao falar desse amor imensurável que é o amor de mãe e avó é mãe duas vezes.
beijinhos as duas meninas.

Lorena Viana, disse...

Minha amiga tenho meus pais tão pertinho de mim, que não consigo ao menos imaginar eles longe. Quando vi sua filhota, me deu um aperto no coração.
Minha filha é ligada intensamente com seus avós!

Beijo carinhoso.
Uma linda e abençoada semana...
Lorena Viana

Alê Lemos disse...

Também tenho esse sentimento de querer ter conhecido meus tios-avós. Pelo que contam, eram pessoas divertidíssimas, apesar de meio incucadas. Quando perdi meu avô também era assim, sentia uma saudade danada, mas aos poucos ele foi virando apenas uma boa recordação.

Laiz disse...

Vontade de pegar essa pequena no colo, abraçar e abraçar. Choro verdadeiro,choro de amor, choro de sentimento. A Vó está presente em você e nela também, mesmo que pareça um pouco distante. Bjo grande

Nina disse...

Uma menina com olhos desses, pode ver looooonge. Deixa ela imaginar, ver fotos, conversar. E vc acredito, deve ajuda-la a desvendar a avó.

Acho mt duro perder a mae tao nova. se fazem 30 anos, qual sua idade agora Ana?? é mt tempo!! e como vc se virou esse tempo sem uma mae? desculpa, mas fico pensando nisso, é mt louco, vc tinha outras figuras femininas ao redor??? irmaos?? pai presente??
sua mae morreu de que?? qual era a idade dela? qual sua memoria mais antiga dela e qual é a ultima???

exercite esses pensamentos, dê vida a sua mae pela sua filha. acho importante., sei la... mas claro,nao to aqui falando com tom religioso ou espirita, mas como alguem que da valor ao passado, pra melhorar o presente... e claro,descupa tantas perguntas,é que eu sempre fco pensando nas menininhas la de trás, no tempo :-(

Lacorrilha disse...

Estou sem palavras, mas tenho lágrimas para dar e vender.
Um abraço muito apertado nas duas.

Carolina Lima disse...

Um misto de emoção, de tristeza!
Acho que entendo bem a Júlia, sei como é querer ter conhecido uma avó. No meu caso a paterna, que por sinal tenho o nome dela.

Carol