quinta-feira, 2 de outubro de 2014

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Efeito de uma cidade com quase doze milhões de habitantes: os telhados se roçam, são pontes para gatos enamorados, quintais livres para passarinhos, vertente das águas das chuvas que vai passando de um para o outro numa cumplicidade quase musical.
Sob esses mesmos telhados constroem-se barreiras multifacetadas para que doze milhões de pessoas sequer se vejam.

10 comentários:

Dra. Cristiane Marino disse...

Puxa Ana Paula, que post lindo, uma reflexão digna de Thoreau! Você vai amar o livro, depois dele, mudei muita coisa na minha vida.
Eu li As Memórias de Eugênia neste final de semana, adorei! Vou fazer um post sobre ele em breve mencionando a sua indicação.
Bjs e ótimo final de semana

Minha vida de campo disse...

É uma realidade da vida moderna.
Tenha um ótimo dia.

✿ chica disse...

Triste realidade ,tão verdadeira! bjs praianos,chica

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Ana Paula
Verdade! Ainda bem que moro num prédio e posso ver toda a avenida e orla pra refrescar a mente... Sobretudo,intimidade só com uma vizinha e cumprimentar, mais cordialmente, umas que são simpáticas... outros, nem sei quem mora lá no apto...
Portas fechadas do espaço e do coração... Triste realidade!!!
Bjm fraterno

Ana Cecilia Romeu disse...

Ana Paula, tudo bem?
Os mesmo telhados que protegem, também isolam. E cada um por si, mesmo bem juntinho. Coisas das grandes metrópoles.
Interessante reflexão a tua. Muito bem escrita!

Logo te envio o e-mail.

Beijos e ótimos dias!

Pandora disse...

E de repente me ocorreu que a ausência de privacidade constante na minha comunidade, que sim me incomoda, de repente pode ser uma dadiva de verdade!!!

Calu B. disse...

Não nua, mas em telha crua as estendidas beiradas quase contínuas fazem casulos artificiais...aguçam o olhar atento.

Bela declaração, Ana.

Bjos,
Calu

Tina Bau Couto disse...

Amoooo telhados de telhas de cerâmica :)

Que grudados esses!
Que mundo que cada um vive sob seus telhados de vidro, de concreto, de areia e não olha para os telhados dos outros. Não se sobe mais aos domingos para limpar a calha, não se sabe os nomes, nem os rostos de quem vive debaixo do telhado vizinho. Não existe festa de Natal, amigos secretos, papos no portão. Triste isso!

Eu daqui de longe convivo mais com vc do que com meus vizinhos de porta que nem sei quem são alguns, nunca os vejo nem chegar, nem sair, nem gritar gol, outros sei quem são mas não sei seus nomes, onde trabalham, não me pedem açúcar, não avisam quando deixo minha chave do lado de fora da porta. Que fizeram cara estranha quando dei uma caixa de chocolates com bilhetinho quando aqui cheguei, que me olham torto quando faço comentários, dirijo a palavra ou só um olhar, no corredor ou elevador.

Um dia debaixo do seu telhado prosearemos e incomodaremos a sua vizinhança de tanto rir e falar alto, com o barulho da louça e se alguém reclamar, a gente fala baixinho e alto após alguns minutos, tipo chuva que afina pra cair fortona em seguida.

Graziela disse...

Adoro seu olhar diante das cenas do cotidiano.
Adoro ler sua visao tao critica, criativa e desafiante que nos faz peensar.
Muito obrigada e abraco apertado.
Gra'

Bia Hain disse...

Olá, Ana, como vai? Ler seu escrito, ver a imagem, me fez pensar que os telhados talvez estejam mais próximos do que as próprias pessoas. Gosto de observar telhados, acho que é herança do tempo em que eu ficava na sacada da casa dos meus pais. Um abraço!