quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Livros, leituras e bienal


Essa não era a foto que eu queria colocar sobre a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que aconteceu no final de agosto.
Queria ter colocado a foto da fila para a Bienal, porém, ainda que tivesse recursos panorânicos na minha câmera, ainda não seria possível fotografar.
Um helicóptero seria necessário para que retratasse uma fila na qual levamos uns quinze minutos para alcançar-lhe o final e nos posicionarmos. Não acredita?!
Até procurei na internet alguma foto que mostrasse o tamanho da fila, mas acho que ninguém tinha helicóptero!
E por que estou falando tanto da fila?
Porque parece contraditório num país onde se repete "brasileiro não gosta de ler", filas tão gigantescas para um evento de livros e leitura.
"A frase parece até ensaiada, mas, felizmente está se tornando obsoleta"( Bianca Carvalho ).

Esta Bienal foi pensada e programada para o público jovem. Os eventos, os lançamentos, os autógrafos. 
Sagas e trilogias seguem entre os mais vendidos e lidos por este público, o que na minha opinião é ótimo. Se antes éramos um país de não leitores, estamos sim lendo mais.
Muitos especialistas não consideram esses gêneros juvenis como literatura. Outros acreditam que sejam a porta de entrada para outros gêneros, inclusive os clássicos.
Já ouvi uma mãe numa "fila literária"dizendo que nunca antes a filha tinha lido um livro daquela grossura.
É uma boa reflexão: será que nós e nossos jovens estão lendo livros de "qualidade", ou toda leitura é válida?

Vou aproveitar esta postagem sobre livros e citar uma blogagem coletiva que está acontecendo sobre livros que marcaram a  infância.
Foi no blog da Luma que eu vi; lá tem o link da blogueira organizadora para quem quiser participar. Achei a proposta muito legal, só não participarei pela dificuldade de interagir com os outros participantes e por isso não levarei meu link para lá, mas vou deixar meu depoimento!

Quando li a participação da Luma, imediatamente pensei "não me lembro, não tenho nenhum livro que me marcou".
Depois passei na participação da Pandora e foi lá que surgiram umas boas lembranças na minha memória.

Meus pais não eram leitores e eu tive pouquíssimos livros na infância. Não conseguia lembrar de nenhum livro, embora de alguma forma eu soubesse que tinha havido algum. Foi então que jorrou na minha mente a imagem de dois livrinhos da coleção "disquinho"- vinha um livrinho e o disco.
Ah! Até consegui ouvir o chiado da vitrola e o medo durante as pausas!


E a outra recordação foi a abertura de uma livraria no bairro vizinho ao nosso. Era uma "Ediouro" com livros apenas deste selo e foi surpreendente quando entrei lá pela primeira vez.
Diferente das livrarias mais escuras e abarrotadas de livros que ficavam no centro da cidade, esta era inovadora.
Clara, com portas de vidro e o chão era com carpete.
Minha mãe comprou a Branca de Neve. Poucas ilustrações e mais texto com os detalhes antes omitido pela coleção disquinho!
Tistu - o menino do de do verde foi marcante fazendo-me sonhar com um mundo melhor. Depois vieram os livros recomendados pela escola, a frequencia na biblioteca, livros emprestados, o primeiro salário, mais livros e não parei mais!

Em tempo: a fila da Bienal estava imensa, mas o encontro com amigas blogueiras de outros estados fez a fila andar como num passe de mágica!




14 comentários:

Moro em um Kinder Ovo disse...

É interessante observar este movimento que envolve - principalmente os jovens - as pessoas na busca de livros e autores. Podemos observar também nos shoppings onde sempre encontramos livrarias existentes.
Gostei das suas lembranças de livros da infância e isto diz muito sobre a sua idade. Em tempo: você é muito mais nova do que eu...Vou lá no blog para ver se encontro alguém da minha idade.

✿ chica disse...

Ana Paula, gostei do teu depoimento, das tuas lembranças sobre os livros da infância! Lembro bem desse livrinho com disquinhos coloridos. Aqui as crianças tinhas sempre. Um amor...

E fico contente quando vejo filas pra comprar livros. Se espera que sejam bons títulos ,algo que acrescente às crianças, aos jovens e a nós todas!

Um beijo,tudo de bom,chica

✿ chica disse...

Esqueci! Adorei a foto das duas amigas juntas... E claro que em meio aos papos e risadas até uma fila passa logo! bjs, chica

Cristiane Marino disse...

Oi Ana Paula, frequentei tanto a Bienal…mas hoje não tenho mais paciência para ficar na fila e muito menos para estar em lugares lotados e barulhentos…
Sou uma leitora ávida, comecei a ler por volta dos 4 ou 5 anos e nunca mais parei. Minha biblioteca tem mais de 2500 livros, sem contar os que já doei.
Li tantas coisas na infância, mas certamente o que mais me marcou foi O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfink, que li aos 10 anos e nunca mais me largou…foi a abertura e o chamado para o que seria minha vocação.
Bjs

Luma Rosa disse...

Oi, Ana Paula!
Eu li várias reportagens dizendo das filas quilométricas da Bienal. Não sei se o brasileiro está lendo mais, mas certamente o paulistano sim.
Por falar em encontro blogueiro, parece que a bienal virou point. Mas também, o que mais cresce na blogosfera são blogues falando sobre livros. Já reparou? Ainda bem! :)
Eu tive uma coleção de dez livros que vinham acompanhados de disquinhos, todos coloridos. Eram fábulas e eu devo ter furado os discos de tanto escutar! :)
Legal ver "O menino do dedo verde" aqui! :) As minhas primeiras leituras foram herdadas dos meus irmãos. Eles sempre leram muito, porque os meus primos também liam muito... Os livros sempre foram livres em casa. Os livros que herdei também voaram... rs.
:)
Beijus,

Gracita disse...

Oi Ana Paula
Acho que enfrentar uma fila para um evento cultural não é tão ruim né? Creio que as pessoas estão lendo mais. Que bacana as suas lembranças. O menino do dedo verde foi um livro que me marcou muito também. Quando penetramos fundo na memória trazemos sempre boas lembranças
Beijos

Pandora disse...

Ana, por esses dias uma de minhas estagiarias me mostrou a revista da Avon e me perguntou o que eu achava dos titulos que tinha lá para vender. Eu quase cair para trás com a variedade de titulos e o preço acessível e com a constatação de que sim, o brasileiro está aprendendo que ler é um prazer!!! Eu confesso que ri e sorrir \o/ A Michele Lima foi a Bienal, acho que ela não gostou muito, disse que o pessoal sofre de um problema de falta de organização, mas eu ainda tenho muita vontade de ir a essa festa e encontrar com vocês companheiras de virtualidade!!!

Ah, e que bom que meu post te trouxe boas lembranças!!! É tão bom quando isso ocorre e eu gosto tanto quando você compartilha suas experiencias em seus textos!!!

Obrigada por compartilhar!!!
Cheros, Jaci.

Tina Bau Couto disse...

Eu andava, andava e pensava, vai parar onde essa fila?
Me senti andando de volta a Salvador...rsrs
Sério, que nos ocorreu tirar fotos, mas não daria a dimensão do tamanho da fila, eu cheia de coragem no discurso para não dizer a Julia, sem condições, vamos desistir, pois me deu vontade de desistir e voltar para Liberdade ou ir para o Museu da Língua portuguesa.

Qto a tanta gente, tantos livros vendidos, independente da qualidade, tema etc. Uma reflexão: será que são comprados e lidos de fato? Tem gente que compra por consumismo, compra e põe na estante.
Os que são comprados e lidos muitas vezes não são categorizados como literatura quando deveriam, muitos livros bons, muitos ruins por outro lado ganham cartaz e categoria que condizem com a fama que se quer que tenham, é de auto-ajuda por exemplo e a categoria é para jovens, pois no momento a pesquisa de mercado que não tá nem ai para o que o conteúdo vá provocar sócio, cultural ou psicologicamente, apenas economicamente, diz que jovens compram mais livros, entram na onda sensacionalismos, na tietagem em torno de autores e temas, histeria...

Um tal de só ganha a sacola mais bonita e decorada a partir da compra de tantos reais, para passar ode tá um autor vc tem que encarar um momento trio elétrico em salvador. Não dá pra mim!

Aqui na de Salvador, uma feiura, um tom de passeio de domingo, tipo ver vitrine, uma não ter de títulos, uma sebo praticamente de tanto livro velho, uma horrorzinho.

Na dai, tanta gente, tantos livros, tanto barulho, vai e vêm e para mim a impossibilidade por inadequação objeto, objetivo, de parar olhar a orelha do livro, escolher uma, achar a editora etc
Como ouvir Caetano num pista de motovelocidade, sabe?

*a cara de Caetano essa minha comparação, mas vc entendeu né? ou não?

A Menina das Ideias disse...

Oi Ana! Estou com a impressão de que faz anos que não passo por aqui. Fico feliz que a sua experiência com a bienal tenha sido positiva, ouvi muita gente reclamandoda falta de organização e das brigas que teve lá. Bom, sobre brasileiro não ler, na época da minha escola eu via poucas pessoas lendo ou falando de livros,mas hoje em dia vejo muita gente levando seus amigos literarios nos onibus. Ouvi ainda outro dia que o jovem de hoje lê mais por causa da internet, e talvez seja verdade, porque há tantos blogs literários por aí falando resumos de livros que imagino que atraiam a atenção das pessoas para a leitura. O cinema tem apresentado poucas histórias novas, na realidade, estamos na era dos remakes. Mitos, contos de fadas, épicos bíblicos e todo o resto da nossa memória ocidental tá sendo regravada. Não que não seja interessante e não divirta, ao contrário: é muito bom, mas a sede de novidade pode ser um motivo para esse apelo pro livro. Eu também queria participar dessa blogagem do livro da infãncia, mas o livro que mais me marcou eu não consigo lembrar o enredo. kkk estranho né?

Calu B. disse...

Oi Ana,
longe de contentar-me com "pouco" sou pela torcida de que sendo uma leitura com alguma substância,será sempre melhor que nenhuma e também considero que poderá ser uma ponte para outras leituras mais substanciosas, assim quero muito que a meninada de todas as idades leiam muito, até bulas de remédios.
Tuas considerações sobre as filas são um forte indício disso, ôba!
Os clássicos contos de fadas também fizeram parte da minha iniciação leitora.

Bjinhus e bom final de semana, que parece será bem acompanhado pelos exemplares da feira.
Calu

Luís Fellipe Alves disse...

Um livro pode mudar tanta coisa! Os livros são verdadeiros suportes para a imaginação e também muito amigos. Quantas vezes você se identificou com aquelas linhas? É assim que me sinto! Abraçado pela minha coleção.

Muito legal vocês terem se encontrado!

Luís Fellipe Alves disse...

Um livro pode mudar tanta coisa! Os livros são verdadeiros suportes para a imaginação e também muito amigos. Quantas vezes você se identificou com aquelas linhas? É assim que me sinto! Abraçado pela minha coleção.

Muito legal vocês terem se encontrado!

A BETI disse...

"O sol é para as flores o que os sorrisos são para a humanidade."
Joseph Addison
Bjssssssssssssssssssssss

Tina Bau Couto disse...

Registrando minha percepção na leitura do que escrevi de errinhos de digitação :(
Registrando tb que irei registrar aqui ou lá minha lista de leituras infantilescas :)