quinta-feira, 14 de abril de 2011

Inefável

Comprei esta palavra, lá na grande fábrica de palavras e precisava dar uma utilidade para ela.
Fiz poema, que ficou assim:



Quantas cerejeiras floriram
nesse incansável rodopiar dos planetas
e a cada flor, em cada nova estação
eu me gabava por metamorfosear
palavras, vestir letras
com ternura ou
intempestivamente

E naquele instante
em que a flor se desprende
esmaecida
fui esvaziada
dos significados
cultivados

Na calidez dos teus lábios
eu me deixei ir
Habitamos espaços
ouvimos o nascer de uma estrela
e ao voltar
minhas palavras não significam mais

como definir
um amor que não vive tormentas
um silêncio repleto
um sentir na distância?

Voltei vazia
nada do que havia em mim
me serve para exprimir
o meu sentir

Talvez uma palavra ainda
me reste
inefável

Um comentário:

Antonia Ivani disse...

Gostei Ana Paula, você usou sua palavra direitinho, não perdeu o significado, encaixou no seu poema como se fosse de encomenda.
Não entendendo nada mesmo de poesia, coitada de mim, mas gosto!