quarta-feira, 3 de outubro de 2012

As cercas

Tenho acordado cedo. Muito cedo.
A verdade é que tenho madrugado depois do Estatuto dos Passarinhos.
E não, não é para retratá-los com a minha ruim máquina e minha péssima técnica.
Tenho acordado cedo para que eles, os passarinhos, não morram.
E por favor não me chamem de pretensiosa antes de terminarem a leitura.
Ah! Como gostaria de poder salvar todos os pássaros das turbinas dos aviões e principalmente das cercas elétricas...
Ao menos da minha cerca elétrica.

Eu não resido em nenhuma paisagem bucólica, campestre; eu não resido em nenhuma cidade arborizada e por isto, ter um passarinho na varanda, ainda que seja do tipo mais comum, é motivo de exaltação.
Mas também de preocupação. Preocupação em desligar a cerca elétrica bem cedinho, no momento em que o anoitecer se vira, se espreguiça e segue para o outro lado do mundo, para que eles não morram.
Há algum tempo, ouvi uma notícia que falava do aumento do número de passarinhos mortos, ou seja, da diminuição das cantorias matinais, por causa da sensacional tecnologia, que aos olhinhos dos passarinhos são pautas musicais, onde podem de assentar e iniciar o concerto. É a pausa da morte.
Aqui não tinha essa enganação para as avezinhas, mas "eles"entraram aqui dentro, ignorando que aqui era palco da passarinhada popular, tão urbana.
Foi preciso o artefato para que gente sem pena não pulasse mais aqui para dentro.
Como eu explico isso para aqueles passinhos saltitantes?
Acordo cedo, muito cedo e desligo a cerca, que poderia ser como aquelas que eu desenhava quando era criança: de madeira, bem baixinha, rodeando a casinha no meio do terreiro, com um portãozinho que range ao abrir.
Um dia ainda teremos uma cidade para homens e pássaros.


11 comentários:

Kellen Bittencourt disse...

Oii Ana, uma pena mesmo que a insegurança nos obrigue a cerca-nos de tecnologia que fere e mata os pobres, qdo morava em casa, direto encontrava rolinhas perto do muro, a neimmm sofria, mas confesso que nunca acordei cedo p desligar a cerca, não sei se adiantaria, as rolinhas ficavam nos arredores dia e noite! Bom mas que bom que não moro mais em casa, no entanto as Rolinhas e os passarinhos vão continuar diminuindo graças a insegurança que vivemos! Bjooooosss

Tina Bau Couto disse...

Aqui na ladeira que dá onde eu moro, tem uma área militar que é cercada com arame farpado e outro dia eu me peguei pensando quanto é arbitrária e inútil essas cercas em lugares urbanos.
Uma cerca dessas para lugares onde podem entrar ratos ou bichos peçonhentos, como em fazendas, bueiros abandonados e tal até vai, mas numa rua de grande circulação onde uma criança, um idoso, um cego pode tropeçar, cair, se apoiar e se machucar feio, não acho legal. Ainda mais que cerca uma área militar, quem é o insano que vai entrar ali? Para demarcar o território uma de madeira estava de bom tamanho e faria boa vista ao olhos. Fardadinhos é o que não faltam para confeccioná-las, ou quem sabe seja esse um bom serviço comunitário para jovens infratores.
Voltando ao arame, me da uma dorzinha, um arrepio por dentro, só de ver os nós farpados, assim como me dá arrepios as cercas elétricas, acho deprimentes, com ar militar, sitiado, cenário de guerra.
Penso nos dois casos, que se o meliante quiser entra vai entrar. Existem alicates, martelos, manhas e técnicas de dar curto na eletricidade de amassar e deformar as cercas ou portões ou o que se queira invadir.
E local cercado por outro ado sugere que há o que se queira proteger.
Um alarme sonoro, nas portas e janelas não resolve?
O assunto é muito polêmico e de fórum íntimo (com excussão dos passarinhos) e como sou ariana, sincera e meio complicada, meio passarinha e meio gata, não sou a favor das cercas e tenho dito.
Sofro por imaginar quantos inocentes passarinhos são incinerados em inocentes pousos.
O melhor dos mundos seria um mundo de homens e pássaros e gatos. Esse comentário tá virando um post, mas vou contar uma história:
Lembrei que na casa de minha mãe tinha um gato que se dava bem com o cachorro que chegou bebezinho depois dele e com os passarinhos que andavam por lá, pois tive uma conversa de pé de ouvido com ele, nada de pegar passarinhos ou não dorme nos pés de minha cama, não de dou comidinhas furtivamente, não acaricio e nem defendo das brigas de minha mãe pelas noitadas na rua.
Um belo dia me aparece ele com um passarinho na boca e antes de eu esfolar o pobre chegou alguém em sua defesa dizendo que ele tinha achado o bicho morto e foi levar para mim, desconfiada, mas tentando acreditar, enterrei o pobrezinho e no outro dia pela manhã eis o gato com o bicho desenterrado em minha frente como quem diz: trago o seu amiguinho pra vc salvar e vc enterra?

Cerca desligada logo cedo, peninha na escrivaninha, banas de café da manhã, gatos bonzinho e muito carinho meu :)

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, não estou conseguindo comentar essa postagem. Se escrevo muito - como tinha escrito - o blogger apresenta um erro, perco o que escreví e fica por isso mesmo. Esse escrito aqui fui tentando colocar na base do Ctrl+C e Ctrl+V.
Beijo
Manoel

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Adorei o comentário da Tina. Faço minhas as palavras dela.
Beijo
Manoel

Tina Bau Couto disse...

Comi o na de bananas e o s do bonzinhos, do meu coment-post, deve ser a fominha que tô aqui, daquelas tipo roedoras de final de tarde, de quem tá em casa de bobeira...rsrs
Voltei para te contar que por lá haverá Conferência de pássaros semana que vem, conto com sua presença apassarinhada :)

✿ chica disse...

Estou aqui com eles livres ao meu lado, tão diferente da cidade...Tomara chegue logo o dia!!beijos,chica

VERINHA disse...

Olá Ana.
Também tenho este tipo de cerca elétrica e com laminas, depois que sofremos em um assalto e meu marido foi levado como refém,ficamos muito abalados com o acontecido e resolvemos nos proteger da melhor maneira possível. Confesso que não havia pensado na possibilidade dos passarinhos correrem perigo com esta nossa decisão, fiquei atônica pensando sobre este post. Triste isso, em pensar que ao nos proteger outras vidas ficariam ameaçadas.
Com certeza seu texto como o meu que você mencionou em ser um alerta, me fará acordar mais cedo e desligar a energia.
Tem coisas que fazemos sem ao menos pensar, mas não com a intenção ruim e sim proteger nossa prole de qualquer perigo. Valeu amiga pelo post me fez ver que tenho uma responsabilidade com os passarinhos também.
Dias de muita paz, saúde e harmonia. Beijinhos.


VERINHA disse...

Faltou agradecer sua linda visita. Adorei. Beijinhos

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi flor!!!

Que emocionante seu post! É muito carinho!

Beijos

Selma

Li disse...

Ah! Que lindo!!!

Também sonho com um mundo para homens e pássaros... Homens e natureza e também, simplesmente homens e homens (onde ninguém tenha que se proteger, onde uma pessoa não faça o mal à outra...)

Beijos!

Lívia.

Flor de Liz disse...

Olha, seu texto me emocionou do início ao fim!
Você escreve absurdamente bem! rs
Aqui por onde moro não tem problemas com cercas elétricas, pois consideramos "roça". Tem muitas árvores espalhadas pelas casas e uma porção de passarinhos por elas.
Como tudo na vida tem uma consequência, a cerca elétrica por sua vez, pode ser tão perigosa até mesmo para os inocentes passarinhos, mas o mundo anda tão perigoso que falta escolha, não é verdade?
Mas muito legal saber que você se preocupa com eles!
Se for possível manter um mundo que haja paz, com certeza favorecerá ainda mais a natureza e a nós mesmos.
Bela postagem!
Beijos

http://oiflordeliz.blogspot.com.br