sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Bolas e baratas


As crianças me pedem que as deixe ir sozinhas para a escola.
Inviável nesta cidade grande. Então para amenizar a situação, após atravessarmos o semáforo eu deixo que prossigam sozinhas em seus aproximados dez passos até a porta da escola. E eu fico ali na esquina para vê-los entrar em meio aos meus acenos. Acho que sentem um pouco de liberdade...
Hoje, quando começavam a seguir sozinhas o curto caminho, disseram-me: mãe, olhe quanta barata morta na calçada.
Eram dezenas delas. Barriga para cima, algumas ainda mexiam as patas. E quando eu começava a imaginar a logística do acontecido – estavam entre em bar fechado e dois bueiros cobertos – apareceu um senhor muito elegante, os olhos da cor do céu, perguntando-me se eu tinha visto que ele quase fora atropelado.
Levei um tempo, talvez alguns segundos, para deixar aquele momento introspectivo com as baratas.
Mas ele nem esperou e foi me atropelando com as palavras:
  • Deviam obrigar esta senhora a fazer um novo teste de habilitação. Ali embaixo já me encheram falando se eu sabia que o Berlusconi havia renunciado. Todas as mulheres que se envolveram com ele, levaram muito dinheiro. Ele ficou no poder alimentando  essas mulheres. Agora o Pato namora a filha dele. Não importa onde põe as bolas, se na filha, na rede, o fato é que o Berlusconi é o homem mais rico da Itália e o Pato também tá levando dinheiro dele. A senhora me desculpe, mas eu sou italiano e se não falar 10.200 palavras por dia, eu não fico bem. Passar bem.
Passar bem? Eu estava num momento de criação literária sobre baratas mortas no passeio público e este senhor, que eu nem vi de onde surgiu, obriga-me a raciocinar política internacional e futebol europeu?
Foi como se eu tivesse levado uma bolada na cabeça, tão atordoada fiquei.
Com tantas palavras por dia, ele deveria escrever um blog. Garanto que eu não leria. Porque são palavras demais para mim.
Nunca contei quantas eu escrevo, mas acredito que não chegue a dez mil.
Esta cidade grande está cada dia mais perigosa.
E eu nem acenei para as crianças. Para dizer a verdade, eu nem as vi entrando na escola.
Sobre baratas mortas... bem, fica para uma próxima inspiração.
Bem que disseram que coisas estranhas poderiam acontecer neste 11/11/11.
Aconteceu algo com você?

9 comentários:

mfc disse...

Ahhh... o 11/11/11... o mundo não vai acabar desta vez??!!
Ahhh não?!
Então vou ter que apanhar o autocarro!

Ahh... pois... o teu post. As baratas!! Não nos permitem termos atenção ao essencial... vêm nos logo balar de baratas, quer dizer, do Berlusconi!!

Beijinhos e bom fim de semana.

MÃE DO GUI disse...

Ahahahahahahha!!!!

Vc é demais viu?

bjo Jana

Débora disse...

KKKKK Olha Ana, seus textos são sempre muitos legais, espontâneos e trazem coisas do cotidianos sob os olhos de uma poetisa.
Meu dia foi normal como os demais...nada de diferente, a não ser meu filhote João de 4 anos que estava aguardando esse dia pois na Discovery Kids já vinha a alguns dias falando que hoje passariam os 11 desenhos mais pedidos pelas crianças, imagina isso.
Bjão

Compartilhando Sentidos disse...

Ana, que louco teu texto! Comecei a pensar nas baratas. Aparece esse Senhor falando de um quase atropelamento e desconectou tudo... Confesso que me assusto com muitas palavras assim de rompante ditas quase como um pedido de atenção. Mas adoro o jeito que escreves. Parece que dá prá virar a página e prosseguir.
Quanto a data de hoje, meus alunos pediram para eu liberá-los mais cedo, às 11:11!
Até o próximo post, talvez com as baratas inspiradoras.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, que postagem legal. Foi uma bolada na cabeça mesmo. Imagine a atenção nas crianças para atravessar, no "morticídio poético" das baratas e ainda aparece um "louco" disposto a falar as 10.200 palavras do dia dele para você, rs...rs. É muito para a cabeça, né?
Hoje não me aconteceu nada de estranho. Fico até pensando se deixei de reparar no meu corrido dia.
Eu sou engenheiro mecânico e trabalho com informática e tenho que me policiar para não ficar bitolado com o trabalho, que gosto muito.
Até comecei esse blog com o objetivo de me aprofundar um pouco na linguagem HTML. Acabei gostando e continuarei.
Achei muito legal isso:
"Com tantas palavras por dia, ele deveria escrever um blog."
Pelo menos desabafaria com o micro, né?
Aguardo a postagem poética sobre "as baratas", rs...rs.
Beijo no seu coração.
Manoel.

Celina Dutra disse...

Ana Paula querida,

Sou sua fã! Você é ótima! Ri pra valer das suas baratas e seu italiano das 10 mil palavras por dia. Excelente! Excelente também seja seu fim de semana (sem baratas e italiano!)
Girassóis nos seus dias. Beijos.

Marly Bastos disse...

Que homem desagradável! Você introspectiva com a morte das baratas e ele vem falando de bobagens né?
Esse mundo é assim, carente de bobices e a gente tem que ouvir, ou dar uma de moca e começar a babar, aí desistem, pois nao querem perder palavras.
Beijokas doces e vamos esperar a inspiração baratísticas.

✿ chica disse...

Aconteceu nada não, só quase matei um corredor de rua de susto com o meu GRITINHO...Me assustei dele, estava distraída e aconteceu...


beijos,chica e adorei essa histórias. E esse italiano fala,heim? O meu marido é de Roma, mas é dos mais quietos, comedidos.Ainda bem!rsa

Ivani disse...

Olha eu atrás da Chica (aquela que assusta atletas!).
Comigo também nada aconteceu de anormal. Dia comum!
Ainda bem que não me deparei com nenhum italiano bocudo, conheço alguns que até salivam de tanto que falam...afff!!!
Mas adoro os italianos, tenho 50% de sangue italiano e não poderia deixar de ter certa simpatia por alguém que fala das "bolas" do Pato com tanta naturalidade. Italiano é assim mesmo, fala e depois pensa...
Quanto às baratas, deve ter sido alguma dedetização ali pelas redondezas. O 11/11/11 não foi bom para elas, a profecia realizou-se na calçada...antes assim, melhor que elas morram!
Você viu? o Berlusconi caiu!
beijos querida, bom feriadão!
eu aqui de plantão...