quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Doces lembranças


Fui acordada pela filha de seis anos no feriado de finados às seis da manhã da seguinte forma:
  • Mãe parabéns! Hoje é dia de finados.
  • Mas eu não morri querida – foi tudo o que consegui balbuciar àquela hora da manhã.
  • Eu estou vendo que você não morreu mãe, mas é pelos seus pais.
  • Ah sim, só que não é bem desta forma que a gente comemora por aqui.
O sono foi embora e ficamos a prosear, como diria meu pai.
Ela queria saber como era sentir saudades, se eu estava com saudades naquele dia e por que eu não chorava.
Prosa das boas logo cedinho!
Os primeiros dias sem nossas queridas pessoas, são difíceis, mas de alguma forma nossa saudade vai sendo embalada, ninada e se torna suave.
Num feriado de finados você lembra sim de pessoas queridas, pode até ser de maneira imposta pela data. Mas há lembranças que nos surpreendem.
Hoje, por exemplo, eu fui surpreendida. Comprei um óleo que precisava ser aquecido em banho-maria. Coloquei-o ao fogo e fui cheirá-lo.
Que doce surpresa surgiu em mim!
Minha tia baixinha e gorducha que fazia balas de coco.
Íamos à casa dela nos finais de tarde para ajudá-la e também comer as branquinhas balas.
Um ritual que voltou à minha lembrança desperto por um aroma.
Tia Dirce fazia a massa numa enorme panela e despejava uma espécie de grosso líquido na pia de mármore. Assim que esfriava um pouco, começava a parte que eu mais gostava: ela pegava aquela massa, puxava entre as mãos, esticava o máximo e voltava a uní-las e neste momento de juntar um som, como percussão.
Minha tia suava, repetia por diversas vezes. Depois cortava pequenos pedaços com uma faca e nós, as crianças, enrolávamos para ficar uma tira, ou uma minhoca como dizíamos, e minha mãe e minha tia com enormes tesouras untadas em margarina cortavam a tira em pedaços. Tudo tinha que ser muito rápido, antes daquela brincadeira transparente se tornar branca e acabar derretendo em nossas bocas!

É assim que gosto de sentir saudades...
Como doces lembranças vividas. Isso tira as lágrimas, ou as mistura também com sorriso.
( e também dá uma baita vontade de comer bala de coco que derrete na boca!)

13 comentários:

Carolina Lima disse...

Ana Paula,
confesso que lendo seu texto tantos pensamentos passaram por aqui que não consigo me expressar.
Obrigada por compartilhar essa lembrança. Me fez lembrar de uma frase que diz: "A saudade é a prova que o passado valeu a pena."

Um grande abraço,
Carol
www.umblogsimples.com

✿ chica disse...

Que delícia te ler e que forma de comemoras da pequena,rsrs...Imagina!!!

Sentir doces saudades faz bem e é bom.Ficou DEZ! beijos,chica

Tina disse...

Pra mim saudade é a presença de alguém, de algum dia, cheiro, sabor, momento que já passou, que está longe ou está em outro plano e se a presença existe de forma saudosa é porque foi bom e se é bom vale a pena ser lembrado, revivido, falado, visto, sentido e não chorado ou lamentado.

Linda sua narração, linda a curiosidade infantil, felizes das crianças que têem doces e sábios adultos ao seu lado.

Imac by Artes disse...

Que linda forma de abordagem da sua filha!
Amei ler sua postagem! Também penso como você.
Lembro de meus pais que já se foram,com doces lembranças, com uma saudade carinhosa e gostosa.
Abraços! Boa noite e um amanhã lindo pra ti.

Rafaela disse...

Que lindo texto, cheio de emoção...
Beijocas sabor bala de coco!
Rafa

Débora disse...

Oi Ana!
Concordo plenamente com você...a saudade dói um pouco no peito, a melhor maneira de lembrar de alguém muito querido são os bons e eternos momentos como os que relatou.
Bjo no coração

Ivani disse...

Olá Ana! aqui em Valinhos tem uma mulher que faz dessas balas, na casa dela.
São uma perdição!
Eu também entendo que a grande dor vai passando com o tempo, e depois fica essa ausência, um vazio, uma saudade.
Esse ano almoçamos todos aqui em casa, até meus irmãos vieram. Brindamos à saudade, à memória. Falamos e choramos juntos. Rimos e bebemos cerveja.
Foi um finados perfeito. Para completar assistimos a alguns vídeos de shows que meu marido amava.
Adorei sua postagem, leve e descontraída.
Beijos querida.

Camila Gomes disse...

Paula, eu só tenho a te agradecer por suas palavras, li e reli seu comentários várias vezes e me acalmou e muito, pesquisei e observei muito ele nas últimas noites, voltou tudo ao normal acredito que foi o dente.
Gosto de lembrar de pessoas queridas como você, só com lembranças boas. Não tem modo melhor!
Beijos

Coisas da Vida disse...

Ainda bem que existem as lembranças elas nos fazem sentir perto das pessoas que já se foram!
Amei seu texto, amei o carinho e a forma que sua filha te “parabenizou” pela data.
Beijos!

mfc disse...

São estas recordações lindas que nos vão fazendo sorrir quando aparecem.
Também sou um nostálgico e um sentimentalão!

Beijinhos

Patricia disse...

Quantas lembranças boas me vieram nesse momento.
E são esses pequenos e bons momentos que temos que ensinar nossas crianças a valorizarem, pois são eles que carregamos na memória pra sempre.
Adorei seu post.
bjs

Compartilhando Sentidos disse...

Oi Ana, que delícia de texto! Pude sentir daqui o cheiro da bala feita por sua tia Dirce enquanto lia teu post. Uma lembrança sua que me fez viajar na minha imaginação!
Bjo e bom final de semana.

Marly Bastos disse...

Saudade é o amor que fica bem guardadinho na alma e que vem á tona em forma de lembranças boas.
Beijokas doces