terça-feira, 27 de outubro de 2015

De alegria e tristeza

Dois choros me chegaram ontem.
Por um deles eu já esperava, confesso que, até com certa ansiedade.
E pude ouví-lo no início da noite. Encheu-me de alegria.
Aquele choro significava que estava tudo bem.
Era o choro de um recém-nascido. Uma menininha que ainda não sei o nome.
Minha vizinha de porta, de sorriso simpático, que vez por outra encontrava no elevador e sobe estar grávida e a cada espaçado e novo encontro a proximidade do parto. Na semana anterior tomei coragem e bati na porta dela para oferecer alguma ajuda caso precisasse. E então ela me disse que o bebê chegaria no final de semana e ainda não haviam decidido o nome. Ontem ouvi aquele choro que a gente diz "nossa, pulmões fortes hein?!", o choro da nova vida que se inicia ali ao lado. Embora exaustivo esses primeiros tempos, até que tudo se encaixe numa rotina possível com um bebê, é um choro que traz alegria. Nasceu bem, está tudo bem com mãe e filha e uma nova família vai sendo construída.
O outro choro veio ainda pela manhã e esse, de uma tristeza profunda.

Em prédios de apartamentos fazer amizades é um tanto difícil.
Cachorros facilitam puxar uma conversa.
E assim ao compartilhar o elevador com um "dono e seu cachorro"o papo deixa de ser o tempo para se referir aos peludos e seus hábitos e personalidades.
Até que um dia encontrei o conhecido cachorro com outra pessoa. Disse já conhecê-lo e ela, expansiva, foi falando-me que na maioria das vezes que leva o cãozinho para passear era o marido pois ela, fica a maior parte do tempo com a filha. "Ela é especial, sabe".
Ontem encontrei a jovem mãe no caminho da garagem e perguntei sobre a filhinha que conheci recentemente.
Foi então que a jovem mãe começou a chorar ali diante de mim, uma estranha. Disse-me que após meses de exames e investigações, os médicos fecharam o diagnóstico da garotinha de três anos: ela tem uma síndrome rara e degenerativa.
"Eles nos disseram que ela não viverá por muito tempo e agora eu e meu marido estamos nos tratando para aceitar isso. É muito difícil, se eu penso em daqui um mês, eu enlouqueço".
O choro veio forte.

Ao meu lado, o choro da vida que se inicia.
Lá nos andares mais altos, o choro da vida que está de partida.

7 comentários:

Fernanda Sartori Costa disse...

Ana,
Já pensei várias vezes nisso sabia, quando alguém morre,fico sempre sabendo de outras pessoas que seus bebês nasceram, e é o ciclo da vida.Uns finalizando uma etapa ali, outros iniciando. Ainda que nunca se esteja preparado para esse ciclo. Força para ambas as famílias.
Um beijo e boa semana pra todos vocês.

✿ chica disse...

A vida, no mesmo edifício, em andares diferentes, tantas apronta!

Que ambas mamães estejam bem.

Uma com a alegria de uma nova vida que acaba de chegar e que a outra, vá fundo, acredite numa luz maior e tenha esperança.

Que vire uma jararaca se preciso for, uma leoa, que lute com todas as garras possíveis e impossíveis e acredite num engano de diagnóstico ou que tudo ainda possa mudar!

Daqui, já torço por ela, mesmo sem a conhecer!

Sou teimosa e gosto de desafiar, até a vida! Por isso mentalizo enquanto escrevo, energias vibrantes e cheias de vontade de que ela também possa ser feliz como a tua outra vizinha !

Que ela não acredite em SENTENÇAS e siga buscando, seja lá onde for!!!

Não podemos nos entregar!!! bjs, adorei te ler e sempre me emocionas! chica

Bell disse...

A vida é assim choramos por motivos bons e maus, que a família desta garotinha possa encontrar o conforto.
A ultima palavra vem de Deus.
bjokas =)

Poesia do Bem disse...

Quantas dores o mundo carrega e esbarra em nós, lágrimas que esparramam, grito sufocado ou abafando nossa voz, por vez alardeia ao mundo e conta os mistérios do desconhecido, a fome, enfermidades a morte de um ente querido.
São dores abissais,
Lágrimas incontidas
Circundam a gente tristeza,
Mas há também os choros de alegria incontida
Gargalhadas e mil sorrisos que faz chorar de felicidade
Choro de dor, dores de amor, dores quantas há?
Choro de alegria ou de tristeza
São lágrimas que não se explicam
É a vida a jorrar.

Paula Belmino

Foi isso que senti ao te ler e que venha saúde aos que nascem e milagre aos que parecem partir, aos que findam a saudade amenizada e aos que partem encontro logo há de vir

Poesia do Bem disse...

Ana postei lá no Poesia minha inspiração nesse teu texto reflexivo e intimidador, lá deixo meu acalentar, orar, sentir e desejar o melhor a todos nós. Passe lá depois, bjs

Tina Bau Couto disse...

Alegre e triste
Oração daqui pelas duas vidas

Roseli Rosa disse...

Oi Ana, uma história tão linda do nascimento e outra a caminho do desconhecido.
Nos resta pedir à Deus que conceda o milagre, pra ela continuar viva.
Não resisti e li as suas sete últimas postagens.
Bjs