sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Infância e registros

Faz algumas semanas que eu me deparei com uma postagem doce, delicada, de uma mãe que falava de sua filha e ao final do texto, a ilustração era uma foto com os pezinhos da menina em um sapato da mãe.
Emocionou-me o relato; eu me nutri com aquela ternura.
E depois pus-me a pensar nos registros que eu não fiz da infância de meus filhos.
Não fotografei o positivo no teste de gravidez, não fotografei a barriga mês a mês, não houve foto na hora do parto, não fiz marcações na parede da altura que tinham em cada dia de seus aniversários, e tantos outros que deixei de fazer.
Se pudesse voltar atrás, não teria feito do mesmo jeito.
Não está em mim, não sou eu assim. E meus filhos já "me sabem" assim!
Acho que nossos registros têm um pouco de nós. Não é errado fazê-los ou não fazê-los como a maioria.
Penso que temos que ter o cuidado, de, com tantas facilidades virtuais, deixar de registrar com emoção e ser apenas mais um clic. Há de ter significado.

Revirando uma caixa em busca de um envelope de bolinhas que tinha certeza de encontrar, encontrei além.
Os pezinhos da menina estavam numa foto de papel. O encantamento do meu filho com um imenso arco-íris me fez pegar a máquina, fotografar e depois revelar.




Espero que eles encontrem a maneira deles, o seu peculiar modo de registrar momentos, seja em fotografias, palavras escritas, ou apenas no coração ou em várias plataformas juntas incluindo o coração.
Eu não me lembrava das fotos no sapato de mãe.
Eu não me lembrava que um dia havia mandado revelar uma foto caseira, tirada às pressas de um arco-íris.
Foi um espanto!
E ter um blog para descrever as emoções recordadas é muito bom!
Beijos com desejos de registros cheios de afetos e ternuras e que possam ser compartilhados nos blogs que andam tão acuados, encaramujados.


13 comentários:

✿ chica disse...

O bom de registrar são as surpresas que podemos ter! Adorei as fotos e temos tantas daquelas bem antigas ( apesar de na época não registrar muito, por falta de grana, de máquina,rs)_ ... Mas faz bem rever! Toca direto no coração e isso, por i só, nos alegra! bjs, chica

Graça Pires disse...

O amor de mãe é tão maravilhoso que fica registado no coração dos filhos.
Mas adorei as fotografias.
Beijo.

Dra. Cristiane Marino - Mulheres em Círculo disse...

Que lindo, me inspirou muita ternura também!
Bjs

кεкค disse...

APAIXONADA....devorando cada letrinha as vezes a gente acaba esquecendo a beleza da simplicidade...

Bell disse...

Adoro registrar tudo tb.

Feliz dia das crianças!!!

bjokas =)

Poesia do Bem disse...

Também me sinto triste por não ter registrado alguns momentos da Alice , da gravidez, mas na época eu estava mais ocupada em amar, em curtir em me sentir saudável para gerar a vida, sem a força de um clic e só como bem clocaste, o importante do registro é de que fiquem os lindos momentos , em fotos, frases, poemas, fotografias e principalmente na memória da criança. amei tua foto

Teen, Calm! disse...

Uma das coisas que mais admiro é um amor de mãe. O mundo pode esquecer daquele menino(a) , mais uma mãe sempre está lá junto ao seu(ua) filho(a). Por mais que o(a) filho(a) esteja errado uma mãe está sempre lá para corrigir, ás vezes nós filhos resmungamos por um bronca, mais sempre estive ciente de que ela sempre quis o meu bem e não o mau. Se ela faz hoje isso por mim,é porque ela me ama. Amanhã terei meus filhos, meu marido. E vou lembrar desde a minha infância o que ela sempre me ensinou, o que eu sempre guardarei no meu coração como filha, e passarei para meus filhos. <3

Cadinho RoCo disse...

Há sempre um momento em que somos chamados pelo nosso lado humano na sua mais pura e simples essência. Hoje trabalho muito essa coisa da humanização.
Cadinho RoCo

As Mulheres 4estacoes disse...

É bom ter alguns registros, mas é na memória e no coração que guardamos os melhores e mais importantes.
Um abraço, Sonia.

Francine Galiano Pinto disse...

Que bela surpresa! :D
Eu já sou o contrário de vc, gosto de registrar as memórias de todas as maneiras possíveis: fotos, escrita à mão, blog, contando as histórias para outras pessoas, etc. Eu mesma fiz marcações na parede quando estava chegando à puberdade, para saber o quanto estava crescendo. Ainda bem que hj as fotografias são bem mais fáceis de tirar, e mais barato de revelar.
O único problema é o tanto de coisas que se acumulam... Vivo tendo de me livrar de coisas...
Mas no fundo mesmo, melhor é guardar as lembranças na memória, então vc pode, a qualquer momento e lugar, trazê-las a mente e recordar com carinhos as experiências vividas.

abraços da Fran,
http://nomundodafrancine.blogspot.com

Tina Bau Couto disse...

Pois é
Sou das dos muitos registrosfotográficos e guardados
E sou dessas que isso sou eu
Que cada um é cada um
Vibramos
Amamos
Registramos a nosso modo
Que sendo com carinho tá valendo
Ser diferente vale muito
Saber ser as coisas como somos e não como dizem que são não tem preço

Uma anotação
Um olhar
Pêssegos como iguaria com história guardada para um dia
Alegria dividida em sorte de realejo
Bons desejos
E tudo mais que lhes dê alegrias

Bia Hain disse...

Olá, Ana!!!! Que terno seu post, certamente adocicado pelo que leu.... tenho várias fotos de infância na casa dos meus pais, e várias da minha filha especialmente após os três anos de idade. Infelizmente o início da minha gravidez foi conturbado pelo contexto, tenho somente duas fotos grávida, certamente se fosse mãe de novo faria todos os registros possíveis, rsrsrs!
Tenho também uma caixinha e umas pastas onde guardo várias lembranças produzidas por minha filha, ela fica encantada quando hoje vê que valorizei guardando! Bom dividir o que é bom!!!abraços!

Vania Lucia disse...

Lindo post Ana.
Sabe eu não registrei em fotos ou escritas, mas registrei em meu coração cada detalhe e hoje me lembro com ternura e saudades e lhes conto nos momentos de lembranças e vejo o brilho nos olhos por verem que eu me lembro ainda de cada detalhe...
Cada uma de nós guarda em si a seu modo todas as coisas lindas e surpreendentes de seus filhos.
Bjs