segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Balançar

Uma blogueira fez uma postagem tão apaixonante sobre um escritor ( além de tantos outros atributos ) que eu pedi-lhe ali no retângulo dos comentários que me indicasse alguns títulos desse autor.
Dois me foram sugeridos, sendo que um deles imediatamente me embalou, acho que pela poesia já contida no próprio título: O velho que acordou menino.
Coloquei na minha lista de possíveis leituras.
Há títulos lá na minha lista que estão há anos; outros se tornam objeto palpável rapidamente.
A vontade de ler nem sempre encontra sintonia com nossas economias, com nosso tempo.
Estava lá - o velho que acordou menino. Nem precisava olhar para a lista, eu já tinha decorado, já estava no coração.
Foi numa entrada descompromissada em uma livraria que me deparei com uma luz belíssima vinda da capa de um livro. O primeiro de uma pequena pilha.
Era o livro sugerido!



A sintonia não poderia ter sido melhor entre a beleza da capa e a possibilidade financeira de trazê-lo para casa.
A cada texto lido, assim que fechava o livro, apreciava novamente a capa.
Entre leituras demoradas e outras mais rápidas, cheguei ao final, mas antes, já quase no fim, um texto que é a tradução da capa do livro.

"O meu balanço estava amarrado num galho de uma ameixeira. Quando não se sabe ainda, é preciso a colaboração de um amigo que nos empurre. Depois a gente aprende o segredo. Com sucessivos deslocamentos do centro da gravidade do corpo, o balanço voa. Ah! A alegria de tocar com a ponta do pé uma folha num galho alto! Eu fazia um monte de folhas secas à frente do balanço. A aventura que exigia coragem era pular do balanço quando ele estivesse no alto para cair no monte de folhas secas.
Depois de velho, psicanalista, dei-me conta de que um balanço é um excelente remédio para depressão. Por experiência própria. Bastava que eu balançasse para que a tristeza sumisse. Balanço e tristeza são incompatíveis. No balanço não há passado, não há futuro. É só o presente.
[...] Um adulto que se assenta num balanço é porque perdeu a vergonha. E perder a vergonha é o início da felicidade."

Agradeço à Ana que me indicou o livro. Agradeço à uma amiga que me presenteou com a visão de vê-la balançando no parque ao lado de minha filha.






10 comentários:

Ana Bailune disse...

Bom dia, Ana Paula. Conheço Rubem Alves de outros carnavais, e sempre foi um de meus autores prediletos, desde os tempos em que publicava na revista Bons Fluidos, onde o li pela primeira vez. Falava do seu amor pelos ipês amarelos.
Tenho certeza de que você vai adorar tudo o que ler deste autor, uma pessoa ímpar. Visite também sua página do Face, que continua sendo mantida por sua filha.

✿ chica disse...

Que todos percamos a vergonha! Adorei desde a capa, tudo que aqui li.Vai pra minha lista! Adorei! bjs, chica

Francine Galiano Pinto disse...

Realmente, balançar é uma delícia! Amei o texto, e gosto muito dos textos do Rubem Alves, os que li na faculdade. Ah! E é uma alegria ter um livro novo nas mãos, até o cheirinho é gostoso :)

Abraços da Fran,
http://nomundodafrancine.blogspot.com

Tina Bau Couto disse...

Adoro balançar!
Amei o post!
Nele estar!

E no próximo ir e vir que não perco nenhuma oportunidade vou lembrar desse texto.

Me sinto voando num balanço!
Me sinto traduzida por Rubens em muitos de seus textos, encontro explicações em outros, provocações.

Rubens também me lembra nossa ida a Bienal.
O das jabuticabas tá aqui a minha espera para a ponte aérea.

Poder descer em escorregador pena é mais raro, senti vontade de pontuar. Não os fazem na maioria para caber adultos. Pena!

Nair Peró disse...

Querida Ana Paula

Tenho um marcador em meu blog: grandes mestres. Preciso acrescentar outro marcador: belas sugestões de leitura.
Grata amiga querida, sugestões tão sensíveis e belas só podem partir de sensíveis corações como o seu.

Vania Lucia disse...

Que vontade de ler e de ter este livro, tambem me encantei com a capa, balanço sempre foi minha melhor brincadeira, se eu perder a vergonha ainda será, kkkk..
Gostei muito da maneira que você colocou tudo.
Bjs

Poesia do Bem disse...

Eu amo os escritos de Ruben Alves, mas só da internet, de miúdos, como disseste bem Ana, a economia nem sempre nos permite comprar o bem mais precioso os livros, Quisera eu poder ter uma enorme biblioteca, mas enfim, só tem mais infantis, pq tbm preciso para trabalhar na escola e ganho de amigos editoras concursos, sou apaixonada por livros e meu sonho é poder arrumar aqui nossa pequena estante biblioteca quando eu o fizer conto no blog, Concordo que balanço leva embora a tristeza, o medo , a depressão a insônia, já experimentou dormir de rede se balançando? não há sono e cochilo mais renovador, no balanço tudo de ruim desaparece.

Cristi@ne disse...

Oi querida... amo Rubem Alves... ainda quero ler esse livro...obrigada!

Bjs

Moro em um Kinder Ovo disse...

Gosto muito deste autor, parece que ele tem alma de passarinho

Juliara Rodrigues disse...

Ana Paula sua palavras descem soltas e uma prazer imenso estar aqui novamente depois de tanto tempo. Já não deve se lembrar muito bem de mim, pois meu blog meio que entrou em decadência e vejo que o seu continua muito bem estável, vim aqui mesmo só para lembrar de quanto é bom visitar blogs vizinhos.Porque já faz tempo que eu não tenho contato com o mundo de blogueiros. BEIJOS u.u